Review: 20th/21st Century Boys, de Naoki Urasawa

“E pensar no que nossa imaginação foi capaz de fazer, hein, Kenji?” – Otcho

E aqui estou eu, Luki/L. para um novo post no blog, e minha primeira review. 20th Century Boys é um mangá que vários já devem ter lido, que fez algum sucesso no fandom de mangás (e merecido!), e que se você não leu, deveria consertar isso logo. Esta review pode parecer um pouco redundante, vários outros blogs já resenharam esse mangá, mas como ele é um de meus favoritos, me sinto na obrigação de fazer isso.

Naoki Urasawa é um mangaka muito renomado, com suas obras fazendo relativo sucesso até mesmo do outro lado do oceano, o que é raro se tratando de mangás seinen. 20th Century Boys, que foi publicado de 1999 até 2006, pela revista Big Comic Spirits (A mesma de mangás como Homunculus, Oyasumi Punpun e I Am a Hero) talvez seja sua obra mais conhecida, talvez a melhor.

Urasawa é considerado um mestre dos mangás de suspense, e 20th Century Boys foi o maior mangá desse gênero que ele fez até o momento, com 22 volumes mais 2 de sua continuação, 21st Century Boys. A obra ganhou vários prêmios, como o Kodansha Manga Awards (Lembrando que o mangá foi publicado pela editora Shogakukan!) e o Shogakukan Manga Awards, ambas premiações bastante prestigiadas.

À primeira vista, a história de 20th pode parecer um pouco boba. No começo, somos apresentados a um grupo de garotos de 1973, que brincavam de serem heróis que iam salvar o mundo, e criavam as ameaças que o mundo teria de enfrentar… Todas essas brincadeiras, típicas de uns garotos de 10/11 anos, eram anotadas em um livro, um diário deles, que ficava guardada em uma “base secreta”. O tempo passou, a base secreta acabou sendo destruída por algo que seria construído naquele lugar, e tudo é esquecido. Vinte anos depois, Kenji Endo, um dos garotos, trabalha na loja de conveniência de sua mãe, e tem de cuidar de sua sobrinha, pois sua irmã tinha sumido sem dar mais notícias. Até que um dia, ele descobre que um de seus amigos daquela época, Donkey, havia cometido suicídio. Espantado, Kenji procura descobrir mais sobre isso, pois era muito pouco provável que seu amigo se suicidasse. Tentando descobrir sobre isso, ele descobre que o tal amigo participava de um tipo de organização, chamada “Partido da Amizade”, liderada por um homem conhecido simplesmente como “Amigo”, e que essa organização planejava… a destruição do mundo no ano 2000. E mais, o plano desse ‘Amigo’ era idêntico ao que Kenji e sua turma tinham inventado, vinte anos atrás! Além do mais, o Amigo usava uma máscara com um simbolo que o seu amigo Otcho tinha criado na infância. Agora Kenji vai ter que juntar seus velhos amigos de infância, para salvar o mundo de novo. Dessa vez, na vida real.

A história pode soar absurda por essa sinopse, mas ela é conduzida de uma forma brilhante. No começo, a série tem um rítmo mais lento, menos apressado, enquanto mostra cenas do passado, do presente e do futuro. Mas logo ela começa a prender bastante sua atenção, fazendo você ler volumes em sequencia para querer saber o que vai acontecer e descobrir alguns dos mistérios. A narrativa do Urasawa é uma das coisas mais incríveis desse mangá. Desde a capacidade de prender o leitor, até a criação de cenas que podem ser consideradas épicas, você fica impressionado. Mas além dessas cenas impactantes, feitas pra você vibrar ou ficar impressionado, o Urasawa também consegue fazer cenas simples, como um personagem olhando pro alto após uma conversa, ficarem excepcionalmente bonitas. Isso foi o que mais me impressionou lendo o mangá.

O traço ajuda bastante a narrativa. Ele é muito bem feito, e o uso dos quadros, de perspectiva, de ângulo dos desenhos fazem cada cena ficar mais impressionante. Outro fator é que a história mostra os personagens nas mais variadas idades, e o traço faz um trabalho magnífico em retratar os personagens nessas diferentes idades. Você consegue perceber que se trata do mesmo personagem, consegue ver a semelhança, o que é outro fator que me marca bastante quando eu penso nesse mangá.

Aliás, não só na aparência você vê as semelhanças entre os personagens e suas contrapartes do passado. Pessoas mudam, mas algo do jeito antigo delas ainda está presente. É possivel perceber que personagem tal faria exatamente aquilo, tendo em vista que no passado ele era daquele jeito… Esses personagens, por sinal, são íncriveis. Todos são muito bem construídos, afinal, durante a série, nós vemos o crescimento de cada um dos protagonistas: como eles eram no passado, porque eles são assim hoje e vários personagens são aqueles que você para pra dizer: “Esse cara é   foda!”

Mais do que uma história épica que fala sobre a salvação do mundo, 20th Century Boys é uma obra que também toca em outros aspectos. Logo somos apresentados ao passado dos personagens, e vemos como nem sempre vamos conseguir realizar tudo que sonhávamos quando menores, que o futuro nem sempre será glamouroso como desejamos, mas que você ainda pode continuar tentando, que você pode conseguir realizar seus sonhos. Kenji não conseguiu e virou um adulto qualquer, sem muitas perspectivas, mas os acontecimentos o impulsionaram para ele ser o garoto determinado de antes, e ter outra chance de realizar seus objetivos.

Outro fator que eu percebi lendo a série é como ela faz uma homenagem a diversos elementos da cultura pop. Mangás antigos, como Ashita no Joe, são citados, o rock’n’roll é homenageado diversas vezes durante a série, elementos de ficção científica…

Sinceramente, acho que nada realmente me incomodou neste mangá. Mas eu reconheço que a história pode parecer um pouco exagerada, talvez até fantasiosa em alguns momentos. Mas esse fator que pode ser negativo, para mim foi positivo, pois momentos muito legais do mangá surgiram por causa disso. Outro ponto que pode ser criticado é que da metade pra frente, o ritmo da história começa a variar. Alguns momentos são muito corridos, outros são mais enrolados. Mas a história me envolveu de tal forma que isso mal foi percebido por mim.

Para terminar, uma das razões que imagino para esse sucesso de 20th oversea é que ele pode ser considerado a obra perfeita para introduzir o leitor ao mundo dos mangás seinen mais “sérios”, digamos (Porque a quantidade de seinen babaca por aí é absurda). A história é muito bem trabalhada, com uma narrativa diferenciada, mas ainda assim a obra contém elementos que agradariam muitos acostumados ao shonen. Cenas feitas pra você pensar “Que foda”, personagens determinados querendo derrotar o mal, frases de efeito, enfim, fatores que fazem um leitor de um Shonen comum da Jump, por exemplo, não ser jogado em algo totalmente diferente. Isso não é uma crítica, nem de longe. Até porque os fatores que mencionei não são ruins por si só, dependem de como são usados.

Mesmo que algo mencionado possa te incomodar, 20th Century Boys ainda é um grande mangá, e que eu considero uma obra prima. Acho muito difícil que você vá ser arrepender de ter lido. É um mangá que consegue ter cenas épicas e momentos muito bonitos ao mesmo tempo. É uma das poucas obras que ganhou uma nota 10 comigo. Talvez eu esteja sendo exagerado? Talvez. Mas que 20th é um mangá incrível, isso não pode ser negado.

Lucas “L.”

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Publicado em janeiro 2, 2012, em reviews e marcado como , , , , , , , , . Adicione o link aos favoritos. 1 comentário.

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