MALICE MIZER

Em mais um post não diretamente ligado a Animes e Mangás, abordarei a minha banda favorita, o MALICE MIZER. Pretendo falar um pouco de sua sonoridade, de sua história, e recomendar alguns CDS.

Ao ver as fotos que ilustram este post, você provavelmente estará se perguntando o porquê de tanta gente estranha reunida. Aos que não sabem, o MALICE MIZER foi uma banda de visual kei que esteve em atividade entre 1992 e 2001. Mas o quê diabos é Visual kei?

Visual kei é um movimento originário do Japão, que teve o seu auge nas décadas de 80 e 90, com bandas lendárias como X JAPAN, LUNA SEA, BUCK-TICK, entre outras. E claro, o MALICE MIZER. Este é um movimento claramente caracterizado pelos visuais um tanto peculiares das bandas. Em alguns casos as bandas, cada qual com sua sonoridade, podem ter características em comum.

Começarei falando sobre a sonoridade da banda. Dificilmente você encontrará uma banda com tantas variações sonoras quanto esta. Isto se deve, em parte, às três “eras” do grupo, como são chamadas pelos fãs. Essas eras são, basicamente, os períodos de tempo com vocalistas diferentes. Obviamente, foram três. Mas estas serão abordadas mais a frente, quando contarei um pouco de sua história.

A verdade é que o MALICE MIZER está longe de ser uma banda tecnicamente perfeita. Os dois guitarristas, Közi e o famoso líder do grupo, Mana, chegam a ser engraçados de tão toscos tocando, tecnicamente falando. Kami era um bom baterista, Yu~ki um excelente baixista, e os vocalistas são bem diferentes entre si.

As musicas da banda, independente das eras, eram todas muito criativas e diferentes. Muitas delas contém sons de Cravo, Órgão, Violinos e Sintetizadores. Gothic Rock alto nível, talvez. A verdade é que é impossível encaixar o Malice em um gênero, uma categoria. Eles tocam Pop, Rock, Bossa, Gótico, Eletrônico, enfim, tem de tudo um pouco. Impressionante.


HISTÓRIA

Contarei a história da banda ressaltando os detalhes mais importantes, e deixando outros de lado. Se alguém se interessar por ela, provavelmente vai pesquisar mesmo.

O MALICE MIZER foi fundado por Mana e Közi, os guitarristas. Os dois se conheceram no lugar onde trabalhavam, e logo entraram em uma banda juntos. Esta banda era chamada Matenrou.

Os dois tinham muitas coisas em comum, e passavam bastante tempo conversando. Eis que surgiu a ideia de montar uma banda onde poderiam aproveitar ideias como apresentações teatrais e elementos clássicos. O nome dela representaria a resposta para a pergunta “O que é o ser humano?”. Juntaram-se à banda Yu~ki, no baixo, Gaz, na bateria e Tetsu, o primeiro vocalista. Estava formado o MALICE MIZER.

Mana é um cara tão estranho que não se pronuncia em público, já que, segundo ele, sua música representa perfeitamente suas palavras. Aliás, esta bela moça das fotos é um homem, sinto muito.

Após algum tempo, Gaz saiu e foi para o Kneuklid Romance, de onde saiu Kami, o novo baterista do grupo. Esta primeira era é bem diferente das que viriam mais para frente. Os vocais desesperados de Tetsu são estranhos, mas bem característicos. Quem não conhece a banda sempre se espanta, é inevitável. Um dia vocês se acostumam.

Já nesta primeira era podíamos ver grandes variações sonoras. Mas de fato, os vocais bizarros são algo que se vê apenas aqui, e são marca registrada desta época. Aí a banda já mostrava elementos góticos e alguns outros elementos presentes nas outras eras.

Teorias para a saída de Tetsu da banda não faltam. A mais aceitável é a de que ele não gostava dos visuais e das apresentações. Algo até interessante, se pensarmos que muitas pessoas têm certo preconceito com o visual kei.
Com Tetsu, o MALICE MIZER lançou o álbum Memoire, que depois teria uma reimpressão nomeada Memoire DX, com uma música extra, a minha predileta desta era, Baroque. Também lançaram algumas demos.

E agora, Mana? Quem vai ser o novo vocalista da banda? Talvez a melhor esolha que o cara já fez. Embora não seja o meu cantor favorito, Gackt foi um marco para a banda. Em 1995 ele ingressou no MALICE MIZER após sair do Cains:Feel.
Já li muitas histórias curiosas sobre a entrada dele na banda, mas não acho que se encaixem tão bem neste texto. Enfim, pode-se dizer que a era Gackt foi a mais famosa da banda. Nela a banda lançou seu primeiro single, o excelente Uruwashiki kamen no shotaijô.

A verdade é que existem vários boatos de que Gackt e Mana não se davam bem. Alguns dizem que eles mal se falavam fora dos palcos, que disputavam pelo título de melhor compositor, e muito mais. Tudo o que se pode imaginar. Uma coisa é inegável, ambos tinham grande influência dentro do grupo.

Com a bela voz de Gackt, o MALICE MIZER lançou dois álbuns. O primeiro, Voyage ~sans retour~ é excelente, e nos mostra um lado mais pop e melódico da banda. Durante uma parte desta era a banda ainda era indie, com lançamentos assinados pela Midi Nette, gravadora do próprio Mana. Mas depois eles assinaram um contrato com a Columbia.

Se já estava bom, podia melhorar. Singles fantásticos ajudaram a formar aquele que é considerado um dos melhores álbuns da história do visual kei, o Merveilles, de 1998.

Eis que Gackt sai da banda. Além disso, para completar a desgraça, uma tragédia. Kami, o baterista, veio a falecer por uma hemorragia cerebral no dia 21 de junho de 1999. Após isso, Mana, Közi e Yu~ki fizeram alguns lançamentos mais obscuros, além de um CD em homenagem ao ex-baterista. Kami’s memorial box contava inclusive com composições dele.

A bela voz de Haruna Masaki, o Klaha, marcaria a minha época favorita da banda. Pois é, se todos achavam que era o fim do MALICE MIZER, Mana e seus companheiros surpreenderam mais uma vez. Lembrando que o grupo apenas contratou um baterista de suporte. Kami nunca foi oficialmente substituído, e a essa altura a banda já havia voltado a ser indie.

Klaha é dono de uma voz extraordinária, de beleza inigualável. E junto com Gackt, serviu de influência para vários outros cantores, como o meu ídolo Juka/Shaura (ex- HIZAKI grace Project, Moi dix Mois) e Seth/Z/Seiji (Moi dix Mois, Art Cube, AMADEUS). Com Klaha a sonoridade da banda se distanciou do pop rock característico da era Gackt e se tornou sombria e bela. Misteriosa. O MALICE MIZER tornou-se uma verdadeira banda gótica. Aliás, esta era serviu claramente como inspiração de Mana no seu projeto futuro.

Os órgãos, cravos e violinos se fizeram extremamente presentes nas musicas da banda nesta época. E somados à voz de Klaha construíram belíssimas melodias. Algo bem visível no Bara no Seidou, único álbum da banda nesta era.

Com Klaha o MALICE MIZER emplacou três de seus melhores singles, Gardenia, Beast of Blood e Garnet ~kindan no sono e, que seria o último da banda. Pois é, infelizmente em 11 de dezembro de 2001 o MALICE MIZER anunciou uma pausa por tempo indeterminado. E nunca mais voltaram oficialmente, embora Mana, Yu~ki e Közi tenham tocado juntos num evento do Moi dix Mois, projeto pós-Malice do estranho Mana.

Gackt é um cantor internacionalmente famoso com sua carreira solo mais voltada ao pop rock. Közi participou de outras bandas, como o Eve of Destiny e o XA-VAT, além de ter uma excelente carreira solo (Fica a dica). Mana, como já dito, formou o Moi dix Mois, seu projeto solo que revelara o grandioso Juka (Futuramente Shaura). Yu~ki sumiu do cenário musical. Tetsu participou de bandas de menor expressão, e Klaha iniciou uma carreira solo. Só iniciou, porque faz anos que não se tem notícias dele.

Espero não ter exagerado na história, ou algo do tipo. Para encerrar este post, darei as recomendações de Cds dos caras. Tanto de álbuns quanto de singles.

RECOMENDAÇÕES

O MALICE MIZER teve quatro álbuns, além de um EP em homenagem ao Kami , vários singles, e algumas poucas demos na era Tetsu. Como fã da banda, recomendo tudo. Simplesmente tudo. Mas decidi destacar dois álbuns e darei uma passada rápida por alguns singles.

Começaremos pelos Singles. Bel Air da era Gackt é bom. A faixa título é uma das minhas prediletas, mas COLOR ME BLOOD RED não é tão boa assim. Essa segunda, se comparada às musicas da carreira solo do Közi, mostra o quanto ele evoluiu.

Também da Era Gackt, o primeiríssimo single Uruwashiki kamen no shotaijô é ótimo! E Apres midi é uma ótima música, embora não seja a principal do CD.

Já na era Klaha, Gardenia é ótimo. Embora Houkai Joukyoku (a B-side) não me cative tanto. A faixa título é a minha favorita da banda, junto com a do próximo single do qual falarei. Mayonaka ni Kawashita yakusoku é uma das mais belas musicas já feitas, e Seinaru koku eien no inori, a outra faixa, também é ótima.

Outro excelente single da era Klaha é Garnet ~Kindan no sono e~. A faixa principal é fantástica, e Gensou Rakuen complementa o que seria o último lançamento do MALICE MIZER. Fechou com chave-de-ouro.

Bara no Seidou

Bara no Seidou

O MALICE MIZER lançou quatro álbuns. Todos excelentes. Mas falarei apenas de dois. Um deles é o Bara no Seidou, com Klaha. A arte da capa já entrega a qualidade do álbum. Uma das mais belas imagens que já vi para um dos melhores CDs que já ouvi. A banda mostrou o melhor de seu lado “neoclássico”. A voz grave de Klaha criou uma harmonia perfeita com todo o clima construído pelos órgãos e cravos. Belíssimo! Daí destacam-se Mayonaka ni Kawashita Yakusoku, Shiroi hada ni kuruu ai to kanashimi no rondo, Kagami no butou genwaku no yoru, Chinurareta Kajitsu e Seinaru koku eien no inori, além das outras ótimas faixas. Também destacam-se os enormes nomes das musicas.

merveilles

merveilles

Costumo deixar o melhor para o final. Embora o Memoire DX, o Voyage e o Bara no Seidou sejam fantásticos, nada se compara ao merveilles. Mas quando digo nada, não me refiro apenas aos lançamentos do MALICE MIZER, mas sim a tudo que pude ouvir, dos mais variados artistas. Uma experiência mágica, uma viagem entre mundos, um delírio que entrega os nossos corpos à imaginação. Impossível definir esta obra. O Merveilles também foi o maior sucesso comercial da banda. Perfeito, não? Varias musicas dele já eram conhecidas dos singles, mas sem elas esse álbum não estaria completo. Ele é sempre apontado como um dos melhores álbuns do Visual kei, e não à toa é o meu favorito. Bel Air, Syunikiss, Gekka no Yasoukyoku, Le Ciel e Au Revoir são algumas das pérolas que encontramos aqui. Mágico

O MALICE MIZER foi uma das mais influentes bandas da história do visual kei, sem dúvidas. É minha banda favorita, e leva o ouvinte a delírios, o apresenta às mais diversas variações musicais. É um dos grupos mais criativos que já passaram por esse mundo. Eles são anormais, são especiais.

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Sobre Daisuke~

Amante de cinema (e de arte e entretenimento de forma geral), adora escrever sobre filmes, livros, mangás, etc.

Publicado em fevereiro 20, 2012, em Posts não-Otakus, Uncategorized e marcado como , , , , , , , . Adicione o link aos favoritos. 3 Comentários.

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