Série Temática do Mangathering #3 – Promessas dos Mangás [3/4 – Danilo – Kurogane]

Kurogane é um manga do polêmico Ikezawa “cutucador de intocáveis” Haruto. O chamo assim por ter atacado algumas das obras mais aclamadas pelo grande público da famosa revista Shonen Jump. De fato, não é qualquer mangaka que vai a público afirmar que tal série já deu o que tinha que dar ou que no lugar de tal colega, conseguiria fazer melhor, sendo tais afirmações verdadeiras ou não. Mas voltando ao que Ikezawa fez e não ao que falou, Kurogane é um bom manga. Consegue me prender ao ponto de eu me pegar no meio dia pensando “Hm, que legal, ainda tenho Kurogane pra ler quando chegar em casa” mas não me envolve o suficiente para me fazer, no meio de mais uma emocionante aula de álgebra, pensar “Nossa, acaba logo isso, preciso ir correndo pra casa, Kurogane me aguarda!”.

Talvez a principal causa disso seja o fato do autor explorar muito o Kendo, uma arte marcial milenar cheia de técnicas, estratégias e regras. As ilustrações também muitas vezes não ajudam na compreensão do que está acontecendo na luta. Se alguém me diz “Estou usando uma técnica em que me aproveito do ângulo de inclinação da espada em relação ao teto do dojo para um ataque frontal que desarma por completo o oponente e o força a recuar na tentativa de um contra-ataque que utilize a força de impulsão de sua perna direita para a esquerda.” Eu provavelmente vou me perder logo no início, quando o indivíduo começa a falar sobre ângulos. Agora, se as imagens me mostram exatamente o que está acontecendo, facilita demais o meu entendimento. Claro, é o tipo de coisa mais fácil de pegar com a movimentação do anime, mas se bem desenhado, acredito que o manga pode transmitir perfeitamente a ideia.

Mas é justamente isso que eu acho que faltaem Kurogane. A clareza nessa transmissão. O traço não é ruim no geral. Mas as cenas de ação, a hora em que a shinai começa a balançar, que separa o homem do menino, o Ikezawa acaba falhando. No fim, você que antes de começar a ler o manga não tinha praticamente noção nenhuma de kendo, consegue até entender o que está acontecendo na história, quem ganhou, quem pontuou e tudo mais, no entanto perde a emoção da luta em si.

Em se tratando de história, Kurogane é até bem interessante, porém quase me fez desistir logo em uma das primeiras cenas. Estou eu lendo para descontrair e esquecer de uma das paixões da minha  vida, a matemática e seus testes sempre muito fáceis, quando me deparo com um moleque de óculos tentando agarrar uma bola baseado na parábola formada pela área de não sei o quê. Naquele momento, eu juro que quase fechei a página e fui fazer outra coisa MAS resolvi prosseguir na leitura por algum motivo desconhecido.

Valeu a pena não ter desistido tão cedo. A história foi se desenvolvendo e descobri o que na verdade era aquele moleque de óculos. Aquele era Kurogane Hiroto, basicamente, um aluno academicamente muito bom mas uma completa negação nos esportes. Acho que todo mundo que realmente gosta de esportes e é uma negação em todos que praticou (culpado) já se pegou pensando “Será que há algum esporte por aí que eu ainda não pratiquei, mas tenha um talento ímpar e não sei?” Bom, eu já me encontrei nessa situação… E devido à circunstâncias da vida, não descobri nem descobrirei qual é o meu esporte ou talento esportivo. Mas Kurogane teve mais sorte. Ele nasceu com uma vasta vantagem em relação às outras pessoas, ao menos em se tratando de visão: ele tem olhos que conseguem captar tudo que há no ambiente. Usa os óculos só para não cansar a vista. Apesar de ter essa visão privilegiada, ele não faz a menor idéia de que seus olhos podem ajudá-lo a realizar o seu grande desejo de se tornar um herói em algum esporte.

Ou ao menos não fazia até o espírito de Toujou Sayuri, o fantasma de uma mestra do estilo perdido “Sakura de uma espada” o desafiar a desviar de seu ataque letal. Ninguém conseguira se livrar do golpe. Ninguém até aparecer aquele menino magrelo de óculos. Impressionada com a capacidade de percepção do garoto, Sayuri resolve que ele será seu sucessor e tornará o “Estilo Sakura de uma espada” novamente popular dentro do kendo, após 150 anos de esquecimento. E é justamente aí que realmente começa o enredo.

Na luta de Sayuri para convencer Kurogane a entrar para o clube de kendo da sua escola, treinar, aprender a explorar seu dom e enfim dominar o sua técnica centenária. Após alguma insistência (e a transformação em uma boneca que passa a seguir Kurogane para cima e para baixo) Sayuri acaba por conseguir convencer o protagonista.

Depois desse início meio insosso, a história começa a ficar melhor elaborada e a adicionar personagens bastante interessantes, como o novo rival/amigo de Hiroto, Hazakura Shidou, o capitão da equipe de Ouka, Tsurugi Kamiya e, até agora, meu personagem favorito, Taizan Yodaka. Eu nem quero aprofundar muito em personagens, mas acho que o Yodaka merece ser a exceção. Ele é um personagem que consegue ser incrível com pouco. É poderoso de modo natural, como se sua habilidade não fosse nada além do normal. Ótimo personagem.

É, acho que é isso. Kurogane, um bom manga, principalmente para aqueles que se interessam por kendo ou por simplesmente uma ótima história de superação.

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Publicado em abril 20, 2012, em Série Temática e marcado como , , , , , , , , , , , , . Adicione o link aos favoritos. 4 Comentários.

  1. Ótimo post sobre um mangá que estou curtindo muito atualmente. Só não concordo com o que você quis explicar sobre o mangá usar muitas estratégias e técnicas de combate. Você insinua que o mangá não tem graça por causa disso, mas vale lembrar que não é todo mundo que não curte esse tipo elemento em um mangá, existem outros que acham isso genial e o complementam, fazendo ficar bem interessante.

    Não quis criticar o post (que aliás eu achei ótimo), só deixei o que eu pensei deste assunto que você debateu.

    • Pô, Lucas, sem problemas, debates são mais do que bem vindos, quem me conhece sabe que eu adoro uma boa discussão construtiva.

      Mas então, primeiramente obrigado pelo elogios, esses também são muito bem vindos. Quanto à questão dos termos técnicos, então, eu gosto de mais dinâmica nas histórias e acho que toda essa parte técnica atrapalha esse dinamismo. Mas é aquele negócio, é um texto que parte da minha visão, é tudo subjetivo, à mim não agrada, mas à você, por exemplo, pode ser que agrade. No fim eu até chego a falar que é um bom mangá principalmente para quem se interessa por kendo, o que é inegável, quem realmente se interessa vai achar muito mais interessante as partes técnicas, o que não é o meu caso.

  2. CARALHO, TA UM BOSTA ISSO!!

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