Recomendação da Semana/Review: Kokuhaku (Confession)

“It’s his fault… for listening!”

Aqui estou eu, para mais uma recomendação.

Esse é um mangá que li esses dias que me impressionou muito. Obra de dois mangakas muito renomados (A história ficou a cargo de Nobuyuki Fukumoto, autor de Kaiji, e a arte foi obra de Kaiji Kawaguchi, autor de Zipang), esse mangá tem apenas um volume, publicado em 1999, na revista Uppers (que publicou Basilisk).

Asai e Ishikura são velhos amigos e praticantes de escalada de montanhas que se encontraram em uma péssima situação quanto Ishikura machucou sua perna gravemente, o deixando sem poder se locomover bem para poderem deixar a montanha. Assustado pelo perigo iminente de morrer, ele confessa a Asai um crime que ele cometeu no passado. Mas logo depois, eles encontram uma cabana na montanha para se refugiarem enquanto tem de esperar ajuda. Mas agora que ambos iriam continuar vivos, não iria Ishikura se arrepender de sua confissão? E até onde será que ele chegaria pra evitar que esse segredo fosse revelado? Essas perguntas assombram a mente de Asai, e é nesse clima de paranoia que a história de Confession começa.

Primeiro de tudo, o ritmo da história é realmente alucinante. Na verdade, até a metade dela, há poucas cenas de ação, mas a história te deixa com um clima de tensão incrivelmente bem executado, por meio dos pensamentos de Asai, e seu desespero. Será que ele morreria para o segredo ser mantido? Yoshikura seria esse tipo de pessoa? Essa é daquelas histórias pra te deixar grudado na cadeira, digamos. Ela é repleta de plot-twists, e sempre fazendo você querer saber o que vai acontecer e no que acreditar naquilo tudo.

Ela também é claramente bem desenvolvida e planejada. O volume tem 300 páginas, mais do que o padrão de volumes de mangás, o que dá espaço pra história se desenvolver bem pelas suas etapas, sem se perder em nenhum momento. É um enredo construído com qualidade, trabalhado pra evitar furos, e pouquíssimas coisas, e que não chegam a ser pontuais, mas pequenos detalhes, me incomodaram. É perceptível o avanço da história, e como cada coisa vai levando a próxima.

Não é spoiler, é a página 18, fiquem calmos

Os personagens são muito bons para o que se propõe. Só chegamos a conhecer os pensamentos de um deles, o que deixa a personalidade do outro um pouco mais obscura. Mas ainda assim, ambos são bem interessantes e movem bem a história. Os diálogos entre os dois, por exemplo, são espetaculares. Aliás, um artifício muito bom que a série usa é que nós, até um ponto bem avançado da série, não conhecemos nada do passado dos personagens, o que dá espaço para grandes revelações sem correr riscos de causar alguma contradição.

O traço não é daqueles que realmente aquele que te enche os olhos quando você bate o olho nele, até pelo próprio estilo de desenho do Kawaguchi. Mas quando se acostuma, o traço dá a ambientação perfeita pra história, com cenários bem feitos e uma narrativa que, junto com o roteiro e os diálogos, consegue te dar uma grande sensação de imersão na história (Aliás, isso merece um parágrafo próprio). E quando há cenas de ação, elas são muito bem feitas, conseguindo te deixar com adrenalina e entendendo perfeitamente tudo que está acontecendo, o que sempre contribui e é surpreendentemente complicado de encontrar.

Eu falei da imersão na história. Isso é algo que eu só reparei escrevendo agora, mas é impressionante como tudo na história te faz se sentir na mesma cabana que os protagonistas. Os diálogos, a narrativa, a arte, as cenas… E isso deixa um clima de tensão no leitor impressionante, faz você se sentir na pele dos dois. E eu adoro isso, esse mangá realmente me deixou angustiado querendo saber o que ia acontecer.

O final é algo a se destacar no mangá também. É uma grande reviravolta, e que talvez possa parecer um pouco forçada no começo, mas depois se encaixa perfeitamente com tudo que aconteceu, e conclui perfeitamente. É genial, mesmo.

O único defeito que realmente chegou a atrapalhar um pouco foi o mangá se repetir um pouco com a paranoia do protagonista no começo da história. Em alguns poucos momentos, chegou a cansar. Mas de resto, tudo se encaixou perfeitamente para fazer um mangá fantástico. Foi um primeiro contato (Ou quase primeiro, já vi o anime de Kaiji) ótimo com os autores.

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Publicado em junho 21, 2012, em Recomendação da Semana, reviews e marcado como , , , , , , , , , , , , . Adicione o link aos favoritos. 1 comentário.

  1. Meu amigo.

    Conheci o blog agora com este post e prometo que vou olhar inteiro.
    No mais, esta recomendação já está anotada para poder ler. Parece bem difente do habitual.

    Abraço!

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