Review: Adeus, Lênin!

Olhem só quem resolveu dar as caras! Isso mesmo, estimado leitor, eu ainda faço parte desta equipe, feliz ou infelizmente, não fui substituído nem nada do tipo, a equipe foi simplesmente reforçada, e muito bem reforçada, diga-se de passagem. Sumi por motivos pessoais, a vida na cidade grande anda me consumindo, de modo que quando pude voltar pra cá, ainda tive de resolver algumas pendências no sindicato dos blogueiros, instituição muito burocrática, por sinal.E, bom, não vou prometer nada como na minha última aparição além do máximo que eu puder escrever, afinal, ainda preciso passar de ano. Mas vamos logo ao que interessa: meu texto.

Bom, a recomendação especial de hoje é sobre um filme razoavelmente conhecido, Goodbye, Lênin. O filme alemão, do diretor Wolfgang Becker, é protagonizado pelo ator germânico, também conhecido por participações em filmes de ação aclamados por público e crítica como The Bourne Ultimatum e Inglourious Basterds, Daniel Brühl (no filme, Alexander Kerner) e pela não tão conhecida atriz também alemã Katrin Sass (Christiane Kerner).

Tudo começa com Alex assistindo à decolagem de seu herói Sigmund Jähn ao espaço, o primeiro alemão a fazer algo do tipo, enquanto sua mãe, Christine, discute com estranhos oficiais da Alemanha Oriental (país onde vivem) sobre a misteriosa ida de seu marido, Robert Kerner (Burghart Klaussner), para a Alemanha Ocidental. Com o tempo, Robert não volta e Christine entre em profunda depressão, precisando ser internada em um hospital psiquiátrico. Nesse meio tempo, Alex e sua irmã, Ariane (Maria Simon), fazem visitas periódicas à mãe e vivem com ajuda de vizinhos. Quando retorna ao lar, Christine já é outra pessoa. Se torna uma árdua defensora das causas socialistas, além de uma professora muito doce e amável. E é sob essa atmosfera escarlate e limitada que Alex e sua irmã crescem… Só crescem. Pois uma grande mudança ocorre durante suas fases adultas.

Durante as comemorações de 50 anos da divisão do território alemão em um capitalista e outro socialista, um protesto pro unificação do país ocorre e entre os protestantes está Alex. Nessa revolta, ele conhece Lara, uma bela protestante com quem ele conversa por alguns minutos, mas logo é separado pelos policiais. Enquanto  briga com os policiais para não ser preso, sua mãe, terminantemente contra aquelas revoltas, chega e se depara com seu filho ali, preso como qualquer outro revoltoso. Após presenciar essa cena, Christine tem um infarto fulminante e entra em coma de oito meses.

Durante esse período, a Alemanha é novamente unificada e toda a estrutura do país e, é claro, da vizinhança onde Alex mora é modificada. Grandes empresas, marcas registradas do capitalismo, como Coca Cola e Burger King (aonde Ariane inclusive chega a trabalhar como atendente), estátuas de figurões do socialismo no país e na União Soviética são retiradas e serviços como a TV a cabo são instalados nas vizinhanças (serviço no qual Alex começa a trabalhar). Isso é o mais interessante do filme, observar a transição do regime socialista pro retorno do capitalismo. Mas nessa história toda de progresso, há um impecílio: Christine, que desperta do coma em uma pátria completamente diferente daquela que ela defendia e havia aprendido a amar. Devido às recomendações médicas de preservar a mãe de fortes emoções, Alex é obrigado à reconstruir toda a atmosfera socialista dentro de casa para sua mãe. E é em cima disso que a trama se desenrola. A luta, muitas vezes cômica, de Alex para manter sua mãe dentro de um mundo que já não existe mais.

Já tinha ouvido falar do filme há algum tempo, e quando uma amiga de confiança me recomendou, resolvi levar o projeto de assisti-lo à diante. E não me arrependo. Adeus, Lênin (título que circula aqui no Brasil) é um filme que, apesar da tensão em volta da mentira de Alex, é capaz de te prender e entreter de forma leve, com algumas risadas e, pros extremamente sensíveis, algumas poucas lágrimas. Goodbye, Lênin é uma recomendação mais do que especial para aqueles que, como eu, adoram temas como geopolítica, guerra fria e transição cultural.

Anúncios

Publicado em agosto 26, 2012, em reviews e marcado como , , , , , , , , . Adicione o link aos favoritos. 1 comentário.

  1. alexandravincent

    Esse filme é genial. Além de ser uma boa aula de história, é bastante cômico e descontraído. Boa, Dandan.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: