Review: Eyeshield 21

“Pouco a pouco… é como se as mentiras estivessem se tornando realidade.”

Um dos meus gêneros de mangás favoritos é o de “mangá de esportes”, por algum motivo. Várias das minhas obras favoritas se encaixam nessa categoria. Uma delas é a que vou falar hoje, Eyeshield 21.

Eyeshield é um dos maiores (actually, o maior, ao lado de Air Gear) mangás que eu li por completo, possuindo 37 volumes. Publicado na nossa querida Shonen Jump de 2002 até 2009, fez um sucesso bem considerável por lá (o que pode ser visto pela sua duração), apesar de sua popularidade ter decaído bastante pelo final de sua publicação. Foi escrito por Richiiro Inagaki, que infelizmente parece ter sumido do mapa, e ilustrado por Yusuke Murata.

Eyeshield é um mangá bem “shonen”, por assim dizer. Eu sei que shonen é só uma demografia, mas automaticamente pensamos em um determinado estilo quando falamos que o mangá é “bem shonen”. Talvez “bem shonen jump-like” possa ser mais adequado. Bom, o que estou querendo dizer é: Eyeshield é um mangá bem empolgante, com jogos épicos, daqueles com bastante adrenalina, que toca bastante nos motes da Jump de amizade e superação. Também é exagerado e over the top. Apesar das técnicas, até boa parte do mangá, não serem tão absurdas, como elas são representadas por metáforas visuais, elas parecem mais exageradas e empolgantes. O que é uma ótima ideia, dar uma roupagem de “poderzinho” as técnicas para deixá-las empolgantes, mas ainda mantendo elas críveis.

Bom, a história, pois já me alonguei demais: Eyeshield 21 é um mangá de futebol americano, que conta a história do Deimon Devil Bats, um time que só tem dois membros, assim não podendo participar do torneio colegial de futebol americano. Acompanhamos a evolução do time, ele tomando forma a cada membro novo, ao lado da evolução do protagonista, o primeiro membro conseguido pelos fundadores, Kobayakawa Sena. Embora ele pareça (e seja) um frangote no começo do mangá, o que leva ele a não ser um dos personagens mais queridos, ele passa por uma evolução bem notável durante a série. No começo do mangá, ele joga usando uma viseira (O Eyeshield 21 que dá nome ao mangá) que tapa seu rosto, deixando sua identidade secreta, para não preocupar sua melhor amiga, que não imagina ele, um garoto tão frágil praticando um esporte tão perigoso. Ou talvez seja por pura vergonha mesmo… bem, assim a série se desenvolve, e é uma daquelas que vai crescendo, tanto em forma quando em qualidade. A série vai moldando um “universo” bem grande, com vários outros times, personagens, e backgrounds para esses personagens, deixando a série bem mais “grandiosa”.

E faz isso bem, de forma geral. Grande parte dos personagens, além de carismáticos, tem seus próprios conflitos e motivações, sendo memoráveis de alguma forma. Idem para os times, que também tem ideologias diferentes, métodos diferentes, e conseguem ser muito interessantes.

Eyeshield tem alguns problemas na condução do enredo, meio irregular as vezes, com situações um pouco forçadas em outras, e algumas vezes o exagero deixa de ser “maneiro” pra ser “tosco”. Sim, é verdade. Mas sinceramente………..  isso mal importa. O mangá é tão apaixonante, consegue te prender tanto na leitura, que esses problemas são facilmente deixados pra lá em prol da história, repleta de momentos épicos, emocionantes, e que realmente te prende. Um bom exemplo é um jogo, lá pro final do mangá, que é bem forçado durante toda sua condução, e é o primeiro jogo que me fez pensar que já estavam exagerando demais.  Mas mesmo assim, o jogo é empolgante, e consegue te fazer torcer pelos Deimon Devil Bats sem nem te fazer pensar duas vezes.

Aliás, isso é um grande ponto positivo: Alguns mangás de esportes conseguem fazer os times adversários tão ou mais carismáticos que o principal, porém, isso acaba fazendo você torcer contra os protagonistas, seja por serem mais legais, seja por terem uma história mais sofrida. Eyeshield consegue fazer torcer pelos protagonistas mesmo que os outros times sejam também, bastante marcantes. Até times pouco explorados tem algum carisma e conseguem fazer a partida ser impactante de alguma forma.

A história, apesar de ter umas falhas já mencionadas no decorrer dela, é bem-feita. O enredo evolui bem com o tempo, junto com os personagens. Podemos ver ela andando, coisas realmente importantes e interessantes, acontecendo. E que realmente conseguem de deixar a fim de ler. Com boas partes de drama, revelações que talvez mesmo não tendo sido planejadas, se encaixaram bem com o mangá, e boas ideias de o que fazer com o mangá, overall. Ela também consegue fechar bem vários dos conflitos e pontas soltas que deixa durante o mangá.

O “universo” criado pela obra também ajuda a história, acrescentando mais conteúdo a ela, desde coisas simples até coisas mais bem trabalhadas, o Inagaki consegue te deixar imerso naquele mundo, e isso é muito legal. Algumas das coisas acabam sendo mal-exploradas, mas isso é um preço a pagar.

Além de ter uma coletânea imensa de cenas épicas. Sério, Eyeshield tem muitas e muitas páginas memoráveis, emocionantes, fodas, ou o que for. Graças a arte excelente do Murata somada a um roteiro que consegue fazer os personagens importarem pra você, e cada cena ter a emoção necessária.

E como eu já disse durante a review, os personagens são EXCELENTES, assim como a relação entre vários deles. O Hiruma merece ser mencionado em específico, pois é um dos melhores personagens que já passou pela Jump. Mas todos são muito carismáticos e divertidos, com bons backgrounds. Desde os protagonistas até os secundários.

Já deixei isso claro algumas vezes durante a review, mas os jogos de Eyeshield 21 são fantásticos, apesar de até meio exagerados ou forçados, às vezes. O autor consegue aproveitar bem todos os jogadores, deixar o jogo, não exatamente realista, mas verossímil, sem (muitas) viradas tiradas do cu, ou sei lá, um rumo bizarro pra partida. Elas fazem sentido, sabe?

E os jogos conseguem, sim, ter muitos momentos emocionantes, e o autor é criativo. Algumas vezes o jogo pode ser um pouco previsível, mas é raro. A qualidade também é auxiliada pela arte fenomenal do Murata, que evoluiu muito durante a obra, e consegue deixar cada acontecimento claro, e perfeitamente compreensível.

Como uma side-note, a série é hilariante. Mesmo com outro foco, é um dos mangás mais engraçados que eu já li na minha vida.

Conseguindo juntar adrenalina, humor e drama, cada um na hora certa, e sendo uma leitura apaixonante, apesar dos defeitos, Eyeshield é um dos melhores e mais divertidos mangás de esportes que já passou pela Jump. É um dos mangás que eu li mais rápido, por ser uma leitura fácil, divertidíssima, e acima de tudo, ótima.

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Publicado em setembro 1, 2012, em reviews e marcado como , , , , , , , , , , . Adicione o link aos favoritos. 1 comentário.

  1. review bem fraco… falou, falou e não falou nada da obra.
    lendo esse texto, não me deu nenhuma vontade de ler a obra….

    tente falar da historia no review e não falar superficialmente de tudo.

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