Review: O Operário (The Machinist)

Olá, leitores! Eu sou nova aqui (that’s right, I’m a girl :O), fui chamada tem um tempinho pra participar do blog e na verdade não participei de nada até agora .___. Mas tudo bem, porque hoje eu vou falar de um filme que é completamente mind-blowing. Não tem a ver com a cultura japonesa – não esperem nada muito oriental da minha parte. Mas é exatamente o tipo de filme que eu aprecio: fiquei completamente tonta e pensativa no final. É um daqueles filmes que te fazem ficar boquiaberto por uns dois minutos depois que os créditos já começaram a rolar, e que ocupam seu raciocínio por mais algum tempo, tentando assimilar todas as informações que o filme metralhou na sua cabeça nos minutos finais. E o nome dessa concentração de awesomeness que eu acabei de assistir é “The Machinist – O Operário”.

Pra começar, o filme é estrelado por Christian Bale (a.k.a. Bruce Wayne, a.k.a. Batman). Ele precisou chegar aos míseros 51 quilogramas pra interpretar o papel de Trevor Reznik, o que tornou o personagem absolutamente impressionante. Interpretar um personagem extremo como este exige uma dedicação de mesmo nível – e nisso o ator não falha. Pra quem vê esse filme, a atuação dele em Batman perde muita credibilidade. Por ser um filme onde o protagonista está presente em todos os momentos, um bom desempenho é fundamental para prender a atenção do público. E eu garanto que você não vai conseguir desgrudar os olhos da tela.

Trevor é um homem de pouca idade que aparenta ter acabado de sair do necrotério. Sua saúde física está completamente degradada, isso é perfeitamente visível; mas o que realmente choca é perceber em cada gesto e em cada expressão de Bale o distúrbio no qual a mente do protagonista se encontra. O filme começa quando Trevor é flagrado jogando um cadáver enrolado em um lençol em um lugar deserto e desconhecido. “Who are you?” pergunta um homem, sua imagem ofuscada pelo brilho da lanterna que aponta para o rosto de Trevor. É a partir desta questão que o filme vai se desencadear. Quem é Trevor, este homem magro e misterioso que vive sozinho, sem família ou amigos? Qual é o seu passado? O que justifica uma vida tão conturbada?

Trevor mantém sua privação de sono há um ano. O cansaço gerado pelas horas de trabalho pesado na oficina em que trabalha não consegue ser suficiente para que ele durma – mas é o bastante para que sua vida seja um pesadelo do qual não se pode acordar. Preso em uma mente desperta e perturbada, o operário tem seu consolo em Stevie, uma prostituta que se comove com o estado de saúde de seu cliente. Depois do expediente, Trevor se dirige até o aeroporto, onde toma café e desenvolve curtos diálogos com a garçonete, Maria, que lhe oferece gentilmente alguns pedaços de torta. No início do filme fiquei um pouco confusa – não sabia se o romance dele seria com Maria ou com Stevie. Mas, depois de certo ponto, fica claro que o negócio dele era com a prostituta.

Depois que Trevor provoca um grave acidente de trabalho, O Operário entra em um ambiente de paranoia e pavor. Contracenando com o impecável John Sharian, que interpreta Ivan, um novo funcionário da fábrica que apenas Trevor consegue ver, Bale impressiona em cada cena de suspense. Ivan, é importante ressaltar, consegue apavorar o espectador no momento em que entra em cena; é um dos personagens mais fortes do filme, e é em torno dele que gira o roteiro durante grande parte do filme.

A partir deste clima aterrorizante, todos os detalhes que podem ser resgatados – repetição de objetos de cena, relógios que marcam os mesmos horários, encruzilhadas nas quais Trevor se encontra e até os mais simples diálogos – são fundamentais para a revelação final, que junta todas as peças jogadas pelo diretor ao longo da história.

As sequências mais chocantes são aquelas que afirmam a insanidade de Trevor. Tudo o que parece estar errado ou fora do lugar revela-se ser obra dele mesmo. O terror nos olhos de Bale é contagiante, fazendo com que você permaneça sem piscar os olhos por várias cenas seguidas.  A tensão principal está no fato de Trevor se encontrar em uma situação onde é impossível saber se ele está realmente louco ou se estão todos conspirando contra sua racionalidade. É uma verdadeira luta contra a própria memória – que parece ter escondido da mente de Trevor partes importantes de sua trajetória.

Depois de uma hora e quarenta minutos de ambientes sombrios e personagens de fisionomia pálida e doentia, você se apaixona pelo protagonista, que revela ser o responsável por todos os pesadelos que estava vivendo.

Anúncios

Publicado em setembro 6, 2012, em Posts não-Otakus, reviews e marcado como , , , , , , , , , . Adicione o link aos favoritos. 3 Comentários.

  1. Estou com esse filme baixado aqui pra ver há um tempo… Bale é um dos meus atores preferidos (ok, todo mundo sabe disso) e sei que esse é um dos melhores papéis dele. To muito afim de ver o filme, acho que vou ver hoje 😀

  1. Pingback: O futuro do Mangathering e o centésimo post «

  2. Pingback: Cinemangathering #2 | Mangathering | 1 ANO!

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: