Review: Summer Wars

Quando terminei de assistir a esse filme, me senti obrigado a escrever esta review para que vocês, leitores, saibam o que é essa maravilha da animação japonesa; o que é Summer Wars. Este filme é de 2009, e é dirigido por Mamoru Hosoda (Digimon Adventure: Bokura no War Game, Toki wo Kakeru Shoujo).

Algumas pessoas que me conhecem um pouco sabem que eu sou um grande admirador da franquia Digimon. E Mamoru Hosoda, a mente genial por trás de Summer Wars, é também o homem que fez o masterpiece conhecido como Digimon Adventure: Bokura no War Game. E além disso, o cara trouxe diversos elementos desse outro trabalho para o seu tão merecidamente conceituado Summer Wars. Ele não é bobo, não.

Summer Wars nos apresenta um mundo que é fortemente influenciado pelo que acontece na “rede”, num suposto mundo virtual (é, nos moldes do Digital World da franquia dos monstros digitais) chamado OZ. Este mundo é de vital importância para a sociedade do filme, pois cada pessoa tem o seu avatar, sua representação neste universo virtual, e varias empresas e organizações também adotaram o OZ em seus negócios e planos.

Kenji é um rapaz com uma enorme capacidade de cálculo, e que é chamado pela garota mais bonita de sua escola, Natsuki, a uma suposta viagem para a casa da enorme família da moça. Ele não sabia que à família seria apresentado como o namorado da garota. Durante a estadia do rapaz por lá, problemas passam a ocorrer em OZ, e ele e o resto da família vão acabar se envolvendo nisso.

A premissa de Summer Wars é até um pouco vaga, mas ao assistir ao filme, tudo se torna perfeitamente compreensível. Hosoda pegou toda a ambientação, e até mesmo o próprio roteiro, de seu masterpiece com os monstros digitais e adaptou à sua nova obra; os dois são absurdamente parecidos, inclusive no fato de serem incrivelmente bons.

Eu costumo comentar o desenvolvimento da história, e suas principais características, antes do caráter técnico da obra, mas nesse caso terei de inverter a ordem para que tudo fique mais claro.

O Character Design de Summer Wars tem, inclusive, um toque de Yoshiyuki Sadamoto (Ele mesmo, de Evangelion!), que é perceptível. Porém, o que é mais perceptível, como já citado, são as semelhanças com Bokura no War Game; a primeira coisa na qual se repara é no trabalho gráfico. No mundo “real” da obra, ignorando um deslize ou outro, ele é bem parecido com o mundo humano do filme de Digimon, enquanto o OZ e o mundo digital da outra obra citada são iguais! Inclusive o design de personagens dos mundos. Chega a ser assustador.

A trilha sonora também é competente, e é o único fator no qual eu não aponto semelhanças entre as duas obras. Afinal, nada se compara a um momento badass do Omegamon (Omnimon) com os berros de “Let’s kick it up!” ao fundo, né?

Confesso que não gostaria de estabelecer tantas comparações entre as obras, já que isso descaracteriza um pouco a review que deveria abordar apenas Summer Wars, mas é impossível não reparar em tudo isso! E as semelhanças não param por aí!

O roteiro de Summer Wars se assemelha muito ao de Bokura no War Game; Adolescentes presos em frente a um computador enfrentando um grande perigo virtual que está afetando o mundo todo; isso é o básico de ambas as histórias. Eu, infelizmente, não posso apontar mais semelhanças entre os roteiros pois estaria dando spoilers das obras.

Summer Wars é um filme tocante, digamos assim. A obra parece valorizar principalmente o conceito de família, de amar e ser amado, de um grande grupo que se torna uma só pessoa. E faz isso com competência, apesar de algumas coincidências um pouco forçadas em seu desenrolar. Em meio aos problemas vividos pelo mundo por culpa da ameaça digital, ainda existe espaço para que o filme nos apresente a relação familiar de suas personagens; seus problemas, sua força, enfim, tudo. Tragédias e alegrias marcam o desenvolvimento de suas personagens, que é feito da maneira certa: Nada muito complexo para as quase duas horas do longa e as varias peças nelas apresentadas, nem algo malfeito. É compacto à medida certa. Até a própria Natsuki, que durante boa parte do filme me pareceu um pouco ignorada, largada, e acaba assumindo um papel vital no desenrolar da trama. Natsuki é o Omegamon (Omnimon) de Summer Wars, se é que posso assim dizer.

Muitos podem achar que as várias semelhanças entre as obras nada mais são do que um autoplágio, e que apenas exemplificam a falta de criatividade de Mamoru Hosoda. Mas NÃO, não é isso. Ele explora os melhores pontos de uma obra que praticamente não tem defeitos para poder trabalhar em outra, tentando deixa-la ainda mais evoluída que a primeira. Ele simplesmente pega os elementos mais interessantes e os adapta a outra obra, como a Yumeka Sumomo costuma fazer com suas milhares de one-shots.

As quase duas horas de Summer Wars são uma experiência realmente mágica. Se é difícil não se emocionar ao longo do filme, mais difícil ainda é não terminar de assisti-lo com um sorriso no rosto e com a alma lavada pela inocência de uma obra tão fantástica.

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Sobre Daisuke~

Amante de cinema (e de arte e entretenimento de forma geral), adora escrever sobre filmes, livros, mangás, etc.

Publicado em setembro 26, 2012, em reviews e marcado como , , , , , , , , , , , . Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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