Especial de Halloween – Review: Litchi Hikari Club

Surpresa! Eram para ser apenas dois posts especiais de Halloween, mas legal como sou –ou não-, decidi fazer um terceiro, sobre um mangá que eu até citei no recém-postado texto sobre Suehiro Maruo. Este é Litchi Hikari Club! Nesse post falarei apenas de LHC, pois ainda não li o tal Bokura no Hikari Club. Mas enfim: o mangá é de autoria de Usamaru Furuya (Jisatsu Circle, Genkaku Picasso, The Music of Marie, etc) e foi publicado na Manga Erotics F; tem apenas um volume, que abrange seus nove capítulos.

Um grupo de nove garotos está trabalhando numa máquina com o objetivo de raptar uma garota atraente para ser uma espécie de símbolo do clube. À máquina é dado o nome Litchi, em referência à fruta lichia, que é o seu combustível. O clube é liderado por Zera, um frio e cruel rapaz a quem os garotos obedecem quase que irracionalmente.

Os comentários que eu li sobre LHC tratavam a obra como extremamente violenta e cheia de passagens filosóficas, mas eu devo confessar que, à primeira lida, me decepcionei um pouco com esses fatores; em especial o primeiro. Eu, pelo menos, não achei a obra tão violenta como dizem, mas é óbvio que eu não recomendaria a uma pessoa sensível. Apesar disso, quando consegui me desprender desses fatores e analisar a obra pelo que ela realmente é, percebi o quão boa ela era.

A devoção à figura de Zera chegou a me lembrar de Jisatsu Circle (também do Furuya) e sua tal Mitsuko. Porém, mesmo assim, em LHC os garotos do clube são induzidos a fazer o mal a outras pessoas, e não a si mesmos. Mas o interessante na abordagem de Furuya é a maneira como ele retrata um declínio no grupo, com o estado mental de Zera sofrendo com o medo. Eu explico: ao longo do mangá, nós vemos que nem todos concordam com as atitudes de Zera. Entre eles, Tamiya, que era o líder do clube quando o mesmo acabara de ser fundado. Zera mantém um certo temor de que haja um traidor no meio deles, e qualquer atitude suspeita de seus companheiros –ou servos-, por mais inofensiva que seja, pode fazer com que sua paranoia chegue a extremos.

Como eu comentei no post sobre Suehiro Maruo, Litchi Hikari Club, originalmente, é uma peça do Tokyo Grand Guignol, e Furuya parece querer nos mostrar que seu mangá é uma releitura de uma peça teatral cujo desenrolar flerta com a tragédia. As personagens, como foi dito no Mangatologia, têm suas características explicitadas com poucas falas, como diferentes e pessoais respostas à mesma pergunta. Como também é comentado no texto citado, os componentes do grupo seguem alguns estereótipos, mas, apesar disso, são convincentes e não prejudicam, de forma alguma, o desenrolar da trama. Zera é a personagem mais impactante: o psicopata com fortes tendências bissexuais clássico, porém moderno. O mangá mostra bem como, de um frio rapaz com um carisma capaz de conseguir seguidores, Zera fica ainda mais louco, tornando-se um completo obsessivo. Como é mostrado no mangá, ele parece ter ambições ainda maiores; um perfeito louco, em todos os sentidos. Zera trata a vida como um jogo de xadrez, um jogo aonde ele é o rei. Outra coisa interessante na obra é a máquina do clube, Litchi. Com o desenrolar da história, Litchi parece cada vez mais um humano, e o próprio se convence disse. Ele, além de se convencer disso, age como um humano quanto às pessoas ao seu redor; como por exemplo, com Kanon, a garota por ele capturada para o clube.

O desenvolvimento da história é ótimo! Ela avança num ritmo bem agradável e deixa o leitor realmente imerso na obra. Litchi Hikari Club tem um plot-twist muito bom perto de sua conclusão, mesmo que ele acabe não mudando muita coisa. Aliás, o final do mangá é simplesmente sensacional! Assim como a arte. Neste mangá, Furuya nos apresenta uma arte extremamente competente e bonita. Character design e ambientação são fatores que apenas realçam sua qualidade.

Apesar de algumas cenas violentas e outras “yaoi”, que podem desagradas os haters, Litchi Hikari Club é um mangá que eu recomendo. É uma obra nos moldes dos trabalhos de Suehiro Maruo, tem uma abordagem interessantíssima, personagens cativantes – como o Zera-, uma boa arte e uma conclusão não menos do que espetacular. Vale a pena ser lido.

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Sobre Daisuke~

Amante de cinema (e de arte e entretenimento de forma geral), adora escrever sobre filmes, livros, mangás, etc.

Publicado em outubro 31, 2012, em Especial, reviews e marcado como , , , , , , , , , , , . Adicione o link aos favoritos. 4 Comentários.

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