Review: Opus Eponymous – Ghost

ghost1

Bom, esse post vai ser diferente do habitual, pois resenharei um álbum-isso, de música, mesmo!-, coisa que eu normalmente faria na minha “carreira solo”, o Bara no Seidou. Mas o álbum em questão não é de uma banda nipônica, por isso não o comento no BnS. Espero que gostem.

O tal álbum é o Opus Eponymous, da banda sueca Ghost, que é relativamente recente. Este é o único álbum dos caras, mas eles são sensacionais. Os instrumentistas mantém suas identidades em segredo, sendo chamados por “Nameless Ghouls” e são guiados pelo vocalista, Papa Emeritus, uma figura peculiaríssima que utiliza roupas sacerdotais –se é que posso assim dizer- contrastando com uma maquiagem pesada, fazendo com que o mesmo se torne, praticamente, um mensageiro de Satã. Falando nisso, as letras do Ghost-que são todas em inglês- têm como tema principal o satanismo, além de diversos outros assuntos controversos. “Mas em que furada você me meteu, Daisuke? Você só fala de mangás bizarros, e quando eu acho que você vai falar de algo normal, me vem com uma banda satanista sueca… qual é a tua?!”, é, eu já sei.

ghost2

O álbum começa com uma (bela) encheção de linguiça de um minuto e meio, chamada Deus Culpa, que sai de cena para Con Clavi Con Dio começar. A cozinha da banda anuncia o verdadeiro começo de um excelente disco, enquanto Papa Emeritus faz questão de lembrar, com “Lucifer/We are here/For your praise/Evil one”, que as letras não são indicadas aos católicos de plantão. O mais interessante é que, ao saber de uma banda com visual pesado e temática ocultista, logo imaginaríamos músicas cheias de guturais e berros, mas não. O som do Ghost remete ao heavy metal tradicional, com um som bem limpo e um instrumental que renega completamente qualquer tipo de virtuosismo excessivo, apesar de aplicado perfeitamente. A voz de Emeritus, que não é das mais graves, dá um teor pop ao som, fazendo com que o Ghost seja audível a qualquer público.

ghost4Ritual é uma das musicas mais marcantes do grupo; a guitarra leve do início apenas nos introduz a um hino. Um refrão memorável e riffs pontuais, como já são costumeiros para o grupo, marcam uma das melhores musicas do álbum. “This chapel of ritual/Smells of dead human sacrifices/From the altar bed/On this night of ritual/Invocing our master/To procreate the unholy bastard”, o sensacional refrão, é seguido por uma versão satânica do Pai Nosso. Essa é uma das faixas em que o contraste composto pela sonoridade nem tão pesada do grupo e as letras ousadas é mais perceptível. Fantástico.

Ritual é a minha segunda faixa favorita do álbum, e sua sucessora, Elizabeth, é sem dúvidas minha grande paixão. Riffs pesados iniciam a já clássica música, que tem um dos temas mais interessantes, pelo menos ao meu ver: Elizabeth Bathory, a cruel e vaidosa condessa húngara que supostamente banhava-se em sangue humano, uma das mais temíveis figuras da história da humanidade, talvez. Tratando um tema tão macabro, e, de certo modo, chamando a tal mulher como seguidora de Satã, o Ghost montou um refrão que segue uma veia bem pop, que poderia se encaixar bem em muitas baladinhas. Mesmo sendo tão bonito ritmicamente falando, o refrão continua aparentando ter a carga pesada e negativa que o tema da música requer.

Stand by Him, a que se segue, tem um ritmo cativante, e é mais uma faixa com um refrão extremamente cativante e agradável. É quase como um feitiço (talvez isso tenha sido uma piadinha com a letra da música). Os caras do Ghost são mestres em construir refrãos cativantes! Satan Prayer é mais uma capaz de encantar qualquer um. Ela começa seguindo a veia psicodélica na qual o Ghost tanto se inspira, e descompromissada enquanto “Believe in one god do we/Satan almighty” já dá sinais do que vem por aí. Uma das minhas favoritas do álbum, feita para cantar bem alto, e fazer com que todos ouçam vossa oração satânica. Mais uma vez, peço perdão pela piadinha com a letra da música. Aliás, o solo de Satan Prayer é lindíssimo, apesar de curto e, como de costume para a banda, sem excessos.

ghost3

Uma das coisas mais impressionantes nas musicas do Ghost é a utilização certeira e pontual dos riffs e bases, conciliados ao teclado pra lá de psicodélico, que fazem com que as mesmas fluam perfeitamente, e sem os exageros aos quais várias bandas de metal se sujeitam. Death Knell é mais uma com uma letra deveras pesada que consegue caminhar de maneira fantástica, com um simples, porém competente, trabalho da cozinha da banda. Outra que alterna entre bons e excelentes momentos.

Prime Mover é mais uma excelente faixa, apesar de levemente inferior à suas antecessoras, talvez no quesito em que elas mais se destacam: o refrão. Não que o refrão de Prime Mover seja ruim –longe disso, meu Jesus, digo, meu Satã!-, mas ele é mais “parado” do que os outros, então talvez seja menos cativante à primeira vista. Genesis é uma faixa instrumental, e encerra o álbum. Ela talvez seja meio sem graça se comparada ao resto do álbum, pois não tem uma letra que carregue os temas pesados do grupo e nem a voz do Papa Emeritus proferindo aqueles satânicos e doces refrãos. Mesmo assim, ela é muito boa, com destaque para toda a mistura dos instrumentos nela contida.

Opus Eponymous é um álbum maravilhoso, e obrigatório. E daí que você vai à igreja todo domingo e seu pai não te deixa ouvir essas coisas? Fale que é por um bem maior, e seja aceito como um verdadeiro homem honrado-ou não-, meu caro. Aliás, eu tentei fazer um texto que se aprofundasse menos nos quesitos técnicos das músicas, e que introduzisse mais o leitor à sonoridade da banda, já que aqui não é o Bara no Seidou. Espero que tenham gostado. Vão ouvir, agora!

Anúncios

Sobre Daisuke~

Amante de cinema (e de arte e entretenimento de forma geral), adora escrever sobre filmes, livros, mangás, etc.

Publicado em novembro 30, 2012, em Posts não-Otakus, reviews e marcado como , , , , , , , , , , , , , . Adicione o link aos favoritos. 2 Comentários.

  1. Gabriel Mouriño

    Essa banda é do caralho! Uma das coisas que eu acho mais foda nela, é a anonimidade dos membros, tipo, nenhum deles revela a sua identidade, são todos Nameless Ghouls.
    Ainda não ouvi o álbum inteiro, mas o pouco que ouvi achei foda.
    É isso aí Perdinho, tem que fazer mais texto sobre coisas boas, como essa banda, e não aquelas porras doentias que você gosta de ler. Muito bom o texto!

    Hear our satan prayyyyeeeeeer
    Our antinecene creeed ♪

  1. Pingback: Review: Infestissumam – Ghost | Mangathering | 1 ANO!

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: