#Mangathering1ANO Review: A Serpente Vermelha, de Hideshi Hino

redsnake2Hoje é aniversário do Mangathering e o blog terá posts de TODOS os membros, além de diversas novidades, como a página de equipe (bonitona, deem uma olhada!) e outras coisas. Esperamos que gostem.

Esperamos, também, que vocês já tenham se acostumado à minha fixação por obras bizarras e coisas do tipo. Pois bem, se não se acostumaram, nem leiam este post. Lembram de quando eu disse que Panorama do Inferno era a coisa mais bizarra que eu já havia lido, em seu próprio post? Bom, eu ainda não tinha lido A Serpente Vermelha (The Red Snake, Akai hebi, etc), também de Hideshi Hino, lançada no Brasil pela Zarabatana Books (é, isso mesmo).

Como alguns já devem saber, o autor parece querer abordar, sempre que pode, um período pós-guerra que o mesmo presenciou. E é assim, também, com A Serpente Vermelha. É difícil falar da história, mas o mangá nos apresenta a uma Estranhíssima (reparem no “e” maiúsculo) família a qual pertence o garoto que protagoniza a obra. A casa da família é grande e parece estar cheia de segredos, e aí começam os bizarros acontecimentos do mangá, que, como se imagina, dá margem à aparição de uma misteriosa serpente vermelha.

A premissa básica pode não parecer das mais inspiradas, e realmente, quando nos deparamos com ela pensamos que é só uma cópia nipônica d’A Família Addams. Mas a verdade, é que A Serpente Vermelha é estranhamente bom. Hideshi Hino abre o seu extenso leque de bizarrices, que inclui, por exemplo, uma senhora que acredita ser uma galinha, e fica chocando os ovos pegos pelo seu filho, e um senhor com um enorme tumor no rosto, que só pode ser “tratado” derramando-lhe gema de ovo e pisoteando-o. E é em meio a esse circo de bizarrices que se encontra o garoto, que parece estranhamente deslocado do ambiente; perdido.

Em outra obra do autor, Panorama do Inferno, ele já nos dá sinais de como é a fixação dele pelo inferno, e A Serpente Vermelha serve para confirmar isso. Mas o mais interessante, é que Hino não retrata o inferno convencional e comum a todos, como foi definido por uma religião, por exemplo, mas, na verdade, ele mostra o “inferno de cada um”. Hino quer mostrar que o inferno é diferente para cada um, e que mesmo que seja um lugar repleto de sofrimento físico e psicológico, de bizarrices que te fazem se sentir fora de seu próprio corpo, ele acaba variando de pessoa para pessoa. O protagonista do mangá se mostra claramente perdido no ambiente em que vive, e este é o inferno dele: um inferno que fica mais desagradável a cada página, um inferno do qual ele não pode escapar. Ainda assim, podemos também estabelecer metáforas e simbolismos que ligam coisas que aconteceram com Hino em suas traumáticas experiências, e algumas cenas do mangá. Hino é perturbadoramente genial.

redsnake

A genialidade de Hideshi Hino é diferente, por exemplo, da genialidade de outros autores cujas obras estão cheias de eventos inexplicáveis e bizarrices. Suehiro Maruo, como já comentado aqui, é um gênio por adequar diversas influências de nomes importantes da literatura e da arte à tramas interessantes e violentamente bonitas; Junji Ito já é daqueles que gostam de eventos inusitados e sem explicação, daqueles que colocam suas personagens em situações assustadoras e no meio de eventos sobrenaturais que degradam, pouco a pouco, seu emocional. Já Hideshi Hino, esse sim, coloca suas experiências vividas em metáforas sagazes, implicitando sua própria vida dentro de uma história de horror, mostrando que suas experiências não foram nada agradáveis, e, aliando-a a bizarrices extremas, daquelas que ninguém- nem o Marquês de Sade, nem Suehiro Maruo, nem Kazuo Umezu, muito menos Junji Ito- conseguiu fazer até hoje. Não são, necessariamente, cenas de violência gráfica, mas sim figuras insanas que vivem num cenário ainda mais desolador para a mais normal delas. O inferno do garoto só piora, e em alguns momentos, fica claro que, talvez, o inferno seja sua própria existência.

O que aprendemos com Hideshi Hino, é que devemos estar prontos para tudo. Nunca pensem “Ah, agora não tem como piorar” porque… bom, isso não é verdade. O autor não parece apenas querer ambientar suas bizarrices numa trama bizarra, mas parece também querer deprimir o seu leitor. O inferno do começo do mangá mais parece o paraíso perto de sua conclusão. Aliás, o final é espetacular.

Com uma arte caricata, porém competente, Hino retrata todas as bizarrices do inferno de um garotinho, repleto de influências da própria vida do autor. Cenas estranhíssimas e uma atmosfera desoladora marcam esta obra, não menos do que sensacional.

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Sobre Daisuke~

Amante de cinema (e de arte e entretenimento de forma geral), adora escrever sobre filmes, livros, mangás, etc.

Publicado em dezembro 18, 2012, em reviews e marcado como , , , , , , , , , . Adicione o link aos favoritos. 1 comentário.

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