#Mangathering1ANO Review: Taxi Driver

Olha só quem apareceu! Isso mesmo, o estagiário mais célebre da blogosfera. E dessa vez não apareci apenas para fazer uma apresentação de Série Temática ou promessas de texto. Apareço hoje para apresentar o texto de um filme recém promovido ao panteão de minhas obras prediletas: Taxi Driver.

Quem me conhece um pouco melhor sabe que eu adoro filmes dos anos 70 e 80. Muitas vezes me falta paciência para sentar e assistir os filmes, mas quando o faço, raramente me arrependo. E com Taxi Driver não foi diferente. O filme lançado em 1976, dirigido pelo consagrado (e premiado) diretor Martin Scorsese e estrelado por aquele que se tornou um dos meus atores preferidos, Robert De Niro, mistura temáticas e assuntos que me agradam e interessam muito: mente humana, marcas e problemas sociais, protagonista controverso, e uma pitada de ação por cima disso tudo. Mas uma pitada. Por mais violento que o filme seja na parte psicológica, as cenas de tiro são todas reservadas para os últimos quarenta minutos de filme, se não me engano. Vamos por partes, pois estou me prolongando demais nessa introdução.

Primeiro, falemos sobre o enredo. Travis Bickle (Robert De Niro) é, supostamente, um ex-fuzileiro solitário, entediado e aparentemente desiludido com a vida. Sofre de um sério problema de insônia e, para ocupar sua existência vazia, arruma um emprego como taxista no turno da noturno/matinal. São doze horas por dia de um trabalho que o expõe à dura, suja e cruel realidade dos subúrbios de uma cidade como NY.

É importante comentar sobre o personagem Travis Bickle. No início, o achei um mero fracassado sem rumo. No entanto, conforme o filme vai se desenvolvendo e ele conhece Betsy, essa visão é rapidamente desfeita e substituída por outra. Na verdade, outras. Travis é um personagem que parece estar em constante mutação. Como Betsy o descreve em certo momento “É um profeta e um traficante. Meio verdade, meio ficção. Uma contradição”. Você nunca sabe ao certo qual é a dele, o que ele quer, o que ele vai fazer, se está louco ou não. Uma atuação surpreendente de De Niro, que conseguiu incorporar perfeitamente o papel do errante Travis Bickle, mas não sem deixar a marca característica de sua atuação que podemos ver em outros papéis, como o de Don Vito em The Godfather II.

SPOILERS

Um belo dia, durante suas 12 horas de folga não dormidas, Travis se depara com uma linda moça loira, Betsy, e se apaixona a primeira vista.

Após os encontros entre Betsy e Travis, e o fora que ela dá no protagonista, o filme vai tomando outros rumos. Travis se torna um anti-herói louco com uma missão nunca muito bem definida. Obcecado em matar o senador e candidato à presidência Charles Palantine, para quem Betsy trabalha e apóia, Travis começa um treinamento intensivo e se prepara para o grande dia do assassinado, comprando armas e criando dispositivos que o permitam executar o serviço sem grandes alardes. Mas Travis não parecia satisfeito em assassinar Palantine. Ele precisava resolver outra pendência: persuadir Iris Steensma (Jodie Foster), uma jovem prostituta de 12 anos que ele conhece tentando fugir de seu cafetão, Sport (Harvey Keitel), durante mais uma de suas corridas pelas madrugadas de NY, a largar os patifes e fracassados nojentos com quem ela se deita para voltar a viver com sua família como uma menina normal.

taxi

A missão de matar Palantine falha. Mas ao final do filme, Travis consegue matar toda a corja que aprisionava Iris, se tornando o grande herói da cidade. E a ironia desse final é talvez o mais surpreendente do filme. Caso Travis conseguisse matar Palantine, se tornaria um vilão para milhões de pessoas, seria visto pela imprensa como um assassino e provavelmente entraria para os livros de história como um psicopata que matou um candidato à presidência. Entretanto, por não ter cumprido essa missão de dar fim a Palantine e ter conseguido salvar Iris dos mafiosos e cafetões, Travis se tornou grande herói da cidade.

Mas o final ainda sim é deveras discutível. Há muitas coisas que não se encaixariam na realidade. Teria mesmo Travis sobrevivido ao resgate de Iris, já que ele também saiu gravemente ferido do ocorrido? Será que a última cena, de uma Betsy arrependida entrando no taxi de Travis e demonstrando admiração não seria apenas um sonho, um último pensamento antes de sua morte? O próprio Scorsese e o roteirista do filme, Paul Schrader, admitem as diversas possíveis interpretações para o final e isso torna tudo ainda mais incrível.

FIM DOS SPOILERS

Não posso deixar de comentar o forte lado social do filme. Um político com traços populistas, racismo demonstrado até por parte do protagonista, prostitutas, vendedores ilegais, drogas. Tudo inerente a uma NY dos anos 70. Incrível a realidade com que Scorsese e Schrader trabalharam isso tudo, sem deixar em nenhuma cena aquilo tudo não parecer real.

E esse foi minha review sobre um filme que marcou época, Taxi Driver. Um filme que impressiona, entretém e, principalmente, faz pensar horas e horas após assisti-lo. E ANTES DE FINALIZAR ESTE TEXTO gostaria de prestar uma breve homenagem a este blog que eu posso dizer que ajudei a construir (carece de fontes), parabenizar toda a nossa equipe extraordinária e agradecer aos leitores pela paciência. E, ah, antes que eu me esqueça, um agradecimento especial ao Daisuke e ao Luki, que há 364 dias atrás chamaram este menino desocupado e não muito talentoso para um projeto ambicioso, e o tornaram nisso que vocês conhecem hoje. Exatamente, um menino desocupado e não muito talentoso com um blog.

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Publicado em dezembro 18, 2012, em reviews e marcado como , , , , , , , , . Adicione o link aos favoritos. 3 Comentários.

  1. Taxi Driver é sensacional, resultado de uma das ótimas parcerias entre o Robert DeNiro e o mestre Martin Scorsese. Bom, o texto está com vários erros de português, mas nada muito relevante, eu que sou chato mesmo.

    Eu não acho que o final do filme, com a cena da Betsy tornando a rever o Travis tenha sido algo aberto à múltiplas interpretações, como um último delírio em vida do taxista. Acho que tem muito mais haver com a característica própria do Scorsese de deixar um final meio vago, para criar uma certa expectativa no telespectador. Assim como os créditos do “Cabo do Medo”, que usa recursos de áudio para tornar misterioso o destino de um dos personagens, ou ainda a cena final do mais recente “A Invenção de Hugo Cabret”, na qual ficamos esperando alguma reação do autômato. Na maioria das vezes, ele não está realmente querendo nos mostrar alguma coisa, mas sim gerar essa expectativa, esse suspense. Enfim, isso é só o que eu acho, eu particularmente sequer tinha cogitado a possibilidade da cena final ser um delírio do Travis, e achei curioso você elaborar essa teoria, pois não vi nada parecido nem pelo IMDb haha

    Bom, pelo que eu estava conversando contigo outro dia, acho que esse é o primeiro filme do Scorsese que você vê, não? Bom, só lhe recomendo que veja outros, esse velhinho sempre nos premia com filmes fodas. E quero ver mais textos seus sobre filmes dele aqui haha

    • Danilo Apple's

      Hahahahaha grande Zaca! Scorsese é sensacional nesse filme, o que inclusive me dá vontade de ver outras obras dele, principalmente as suas recomendações. Mas respondendo à crítica, eu acho que não há nenhum erro de português aí não, se tem é culpa dessa equipe de revisão despreparada (tsc tsc tsc). Nessa época eu vinha botando muita vírgula no meu texto, talvez elas apareçam em excesso, mas erro erro mesmo, imagino que não. E quanto ao final do filme, eu acho que justamente essa coisa meio vaga dele, esse ponto de interrogação que você diz que ele deixa no fim, é que abre pras interpretações. Mas obrigado por comentar e desenterrar esse texto, pode ter certeza que outros virão, inclusive do Scorsese! hahaha

      • Sim, sim, os erros a que me referia eram só de pontuação mesmo 😉
        No aguardo das suas próximas reviews cinematográficas! Certifique-se de me passar o link em primeira mão ;D

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