Review: BECK

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Hoje é dia de uma review que, bom… eu estou enrolando há três séculos para fazer. Com vocês, um dos meus mangás favoritos: Beck!

Beck é um mangá de Harold Sakuishi, que foi publicado na Shonen Magazine (mensal) em 1999. Tem 102 capítulos, compilados em 34 volumes. Como alguns devem saber, por causa desse post (que eu considero bem antigo, e que necessita de atualizações), Beck não só é um dos meus mangás shounen favoritos, como um dos meus mangás favoritos no geral.

Tanaka Yukio, ou Koyuki, como é chamado, é um adolescente como outro qualquer, e é o típico protagonista fracassado: é extremamente tímido, pouco popular e tem uma vida tediosa. Certo dia ele conhece Ryuusuke Minami, um exímio guitarrista de dezesseis anos e dono de um cachorro bizarríssimo chamado Beck. Ryuusuke é um grande amigo de Eddie Lee, integrante de uma das bandas de rock mais populares do planeta, o Dying Breed.

Koyuki não entende muito de música. Seu conhecimento se resume a alguns poucos artistas. E quando ele é apresentado ao som do Dying Breed, ele começa a se interessar mais. Como levaria muito tempo para eu falar todos os acontecimentos até o mais importante- e obvio- deles, vou resumir tudo rapidamente. Com o garoto começando a se interessar por música e a separação da banda de Ryuusuke, surge o Beck. Esta é a nova banda do guitarrista, agora com Yoshiyuki Taira no baixo, Tsunemi Chiba nos vocais e Koyuki na guitarra base e vocais. Eles chegaram a ter um baterista bem aleatório, que depois é substituído por um amigo do protagonista, Yuji Sakurai, ou Saku.

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Confesso que achei essa sinopse bem porquinha, mas Beck tem muitos acontecimentos até a formação da banda, que é o fundamental na sinopse. Como um bônus, lembro que Ryuusuke tem uma irmã, a Maho, que, acaba desenvolvendo uma bela relação com Koyuki. Como vocês imaginam, o mangá narra os acontecimentos da carreira do Beck, ou seja, foca nos cinco integrantes da banda. Antes de começar a comentar o mangá como um todo, lembro que existe um anime de Beck, com 26 episódios, produzido pela Madhouse, que é bem competente. Ele tem uma trilha sonora excelente, por sinal! Infelizmente, a animação do estúdio decepciona muito nesta obra, e mais infelizmente ainda, o anime só cobre 29 capítulos do mangá. Mesmo assim, eu o recomendo para quem quiser conhecer um pouco do universo de Beck e então partir para o mangá.

Começarei falando um pouco das personagens e do quão importantes elas são para a obra. Koyuki é o típico loser que encontra, finalmente, uma motivação e um sonho. Saku é seu melhor amigo; um rapaz leal e boa praça que começa a conviver com ele e vê seu amor pela música aumentando cada vez mais, chegando a aprender a tocar bateria. Chiba é quem canta as músicas mais rápidas do grupo, e até os vocais no estilo hip-hop. Apesar de aparentar ser um cara “nem aí pra vida”, ele chega a ser até emotivo. Ele vive questionando sua importância para o grupo, visto que Koyuki, além de um dos guitarristas, tem também uma bela voz e canta as músicas mais lentas e emocionais do grupo, chamando muita atenção, entre outros motivos que eu não posso comentar. Ryuusuke é o problemático do grupo. Ele leva um estilo de vida meio americanizado, saldo de todo o tempo que passou- e ainda passa- nos Estados Unidos. Tem uma guitarra chamada Lucille, repleta de marcas de bala, e o já citado cachorro-frankenstein que dá nome à banda. Taira é um baixista funky talentosíssimo e uma liderança dentro da banda. Ele é claramente inspirado no Flea, baixista do Red Hot Chilli Peppers, que é a banda favorita do autor.

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Dentre os não-integrantes da banda que têm alguma importância na história, temos a Maho; Kenichi, um velho pervertido e beatlemaníaco que deu aulas de guitarra à Koyuki;  a Momoko, professora do garoto; entre outros. Kenichi e Momoko geralmente são utilizados como alívio cômico, e têm mais importância para a trama em si no começo da obra. Eu diria que a Maho é até mais importante que alguns integrantes do Beck. Quanto ao aproveitamento dos componentes da banda: é bom, mas poderia ser melhor. Eu queria muito conhecer mais do Taira, principalmente, mas o considero bem pouco explorado pelo autor. Pelo menos se comparado ao resto do grupo, sim. Koyuki protagoniza toda a trama, então é obvio que tudo nele é devidamente explorado; Saku é como o chulé do nosso protagonista, e não sai do pé dele, então acabamos por conhecer bastante sobre ele e sua relação com Koyuki; Ryuusuke é fundamental para todo o andamento da história, talvez até o mais importante; e Chiba é sempre muito explorado em seus questionamentos sobre si mesmo e sua falta de confiança, que rendem bons momentos, inclusive alguns laterais à trama principal. Mas o Taira… nada. Ele é um dos que eu mais gosto, mesmo assim. É calmo, tem um espírito de liderança e um talento que é sempre comentado por todos, mas quando o autor tentou fazer algum evento lateral para aprofundar mais o leitor à sua personalidade, acabou continuando algo vago demais.

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As relações que Harold Sakuishi montou para Koyuki são sensacionais. Nós acompanhamos na íntegra praticamente todas as relações construídas por ele em sua adolescência. Afinal, praticamente todas as personagens com as quais ele interage durante a obra são apresentadas a ele sob nossos olhos. O que quero dizer é que desde os integrantes do Beck até as outras personagens, a maioria absoluta foi apresentada ao rapaz durante o mangá, o que ajuda muito para o leitor conhecer melhor todos os componentes da história e tudo mais. Ele constrói uma belíssima amizade com Saku, bem diante dos nossos olhos, e, apesar de ter uma grande amizade com os outros integrantes da banda, de vez em quando podemos ver o garoto se comportando de maneira mais respeitosa frente a eles. Ele os admira porque aprendeu muitas coisas com eles, e é extremamente grato a seus colegas pela confiança que nele foi depositada. Mas, sem dúvidas, a relação mais explorada da obra é entre Koyuki e Maho. O autor parece adorar esse casal, porque vive encaixando mais acontecimentos referentes a eles. Até quando menos se espera, surge um pequeno drama na relação, ou algo que os fortalece ainda mais.

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Beck é bem semelhante a outros dois shounen que figuram entre os meus favoritos. Bakuman e Hikaru no Go também contam histórias de garotos normais que passam a se dedicar de corpo e alma a alguma atividade. Desenhar mangás, jogar Go e fazer parte de uma banda são as atividades desses adolescentes, que passam a perseguir seus sonhos e objetivos com uma determinação nunca antes vista. Eu diria que, dessa tríade, o mais didático é Bakuman, que nos apresenta vários detalhes da indústria de mangás e tudo mais. Hikaru no Go foca mais nas emoções dos jogadores, pois mostrar demais as partidas poderia limitar demais a obra e dificultar a leitura. Beck, de fato, não tem muito o que ensinar. Você não vai aprender a tocar algum instrumento lendo Beck- infelizmente. Mas o mangá te deixa com vontade de pelo menos tentar. Por isso, Beck se limita mais a cultivar a semente da música dentro do leitor, e claro, fazer uma ou outra referência a artistas consagrados.

Reconhece?

Reconhece?

A verdade é que o mangá poderia ser bem menor se fosse limitado apenas aos eventos principais, mas não teria a mesma graça. Beck realmente retrata tudo o que for possível e que esteja relacionado à banda e as personagens. Desde singelas historinhas bobas que parecem não acrescentar nada, até os shows e encontros da banda. De maneira alguma isto é um defeito! As tais histórias laterais são importantes, de um jeito ou de outro, para a formação das personagens e de suas relações. O mangá expande seu universo cada vez mais, apresentando outros artistas, produtores, amigos e tudo mais. E aí surge um dos fatores mais interessantes da obra.

beck3Apesar de se focar na banda e na Maho- claro!-, Beck não se limita a isso. O autor é bem ousado e começa a abordar os “podres” da indústria musical. Empresários tentando promover seus artistas enquanto passam a perna nos concorrentes- e como o Beck sofre com isso, meu Deus!-, sequestros e até mortes! Mas, por incrível que pareça, nada disso é retratado de maneira absurda ou inacreditável. É tudo extremamente plausível e crível, gerando bons momentos de drama e tensão à obra. Aliás, Beck tem de tudo! Drama, romance, slice of life, comédia, ação e tudo o que você possa imaginar!

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Apesar de nem todas as personagens de Beck serem exploradas devidamente, eu diria que a maioria é capaz de tocar o leitor. Você pode amar, você pode odiar, mas você simplesmente não pode ser indiferente. Os integrantes da banda dispensam comentários. A Maho é uma personagem apaixonante! Ela parece- e é- forte e madura, mas ainda cultiva vários sentimentos e incertezas, e é tão humana e delicada, ao mesmo tempo em que parece ser segura de si, que se torna adorável. E há aqueles que merecem ser odiados, como os “rivais”, que não seguem a linha de Hikaru no Go e Bakuman, protagonizando rivalidades nada saudáveis, e outros antagonistas. A arte de Beck é, digamos, diferente. O traço de Harold Sakuishi é bem eficiente, e alterna entre um estilo caricato, que chega até a ser engraçado, e um estilo mais “normal” que rouba a atenção em cenas nas quais as personagens estão tocando e cantando. Ou seja, além de competente, gera algumas cenas lindíssimas e memoráveis. Mesmo sem poder ouvir a música, parece que as expressões das personagens, tocando seus instrumentos incrivelmente bem desenhados, nos fazem sentir como se estivéssemos na plateia, assistindo um show. É espetacular.

Beck é um dos meus mangás favoritos. Tem um variado e divertido elenco de personagens, cujas relações são construídas magistralmente; tem boas cenas de comédia, assim como de drama e tensão; e acima de tudo, uma excelente execução em praticamente todos os fatores possíveis. Se eu recomendo? Beck é OBRIGATÓRIO a qualquer um que queira viver nesse mundo. Ainda não leu? Faça-me o favor. Até.

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Sobre Daisuke~

Amante de cinema (e de arte e entretenimento de forma geral), adora escrever sobre filmes, livros, mangás, etc.

Publicado em janeiro 25, 2013, em reviews e marcado como , , , , , , , , , , , , , . Adicione o link aos favoritos. 1 comentário.

  1. Baixando Beck .. Ótima review, parabéns.

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