Recomendação da semana: Palepoli

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Hoje venho trazer a recomendação da semana, que é Palepoli, de Usamaru Furuya (The Music of Marie, Litchi Hikari Club, Jisatsu Circle).

Palepoli foi um dos primeiros trabalhos do Furuya, e tem muito daquela pegada avant-garde, alternativa, do cara. Até onde eu percebi, ele foi tornando suas obras mais “convencionais” com o passar do tempo, mas sem abandonar totalmente suas características. Litchi Hikari Club e Kanojo o Mamoru 51 no Houhou são excelentes mangás, mas não tem essa pegada tão perceptível quanto um Palepoli- diria que Kanojo mal a tem. The Music of Marie me parece ser o ponto de equilíbrio da carreira do autor, sendo quase um meio termo. Não à toa é meu mangá favorito.

Mas, voltemos ao Palepoli. Esta é uma coletânea de 4-koma que trata de diversos assuntos. Bom, é um volume praticamente todo de tirinhas. São tiras aleatórias, sim, mas algumas fazem alusão a outras, ou seguem um mesmo padrão ou temática. O legal de Palepoli é que você pode ler uma ou outra, e depois continuar, isto é, não precisa ler todas as tirinhas de uma vez. Claro, para algumas é sempre bom ter a memória fresca, mas no geral, não creio que ter um pequeno espaçamento durante a leitura vá atrapalhar.

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Por se tratar de uma coletânea de tirinhas variadas, é obvio que tem algumas muito boas, outras nem tanto, e tudo mais. Algumas delas fazem piadas com a cultura ou a língua japonesa, fator que pode vir a atrapalhar um pouco sua compreensão- que você resolve procurando no Google- ou até mesmo sua diversão- aí não tem jeito. Apesar de ter algumas tiras cuja compreensão é mais fácil para os japoneses (ou até os minimamente conhecedores da Garo, saudosa revista onde Furuya deu seus primeiros passos como mangaka), existem muitas outras que são divertidíssimas.

Talvez essa tenha sido uma das obras mais experimentais que eu já li. Logo no começo de sua carreira, Furuya já mostrava um pouco do vanguardismo e do experimentalismo que se tornariam marcas registradas de seu trabalho anos depois. Palepoli tem tirinhas dos mais diversos temas, e faz piada com quase tudo. Desde um mero trocadilho, até piadas de cunho religioso (que são absurdamente boas, apesar de tratarem um tema polêmico); tudo é recurso para o autor fazer graça. Ou nem tanto. Depende do leitor, para falar a verdade.

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O Furuya de Palepoli é menos experiente do que o de The Music of Marie (um masterpiece), mais ousado do que o de Litchi Hikari Club e praticamente oposto ao normal -porém rigorosamente competente e assombrosamente dramático- Furuya de Kanojo o Mamoru 51 no Houhou. Em Palepoli temos um artista ridiculamente ousado e com um estilo deveras peculiar. Eu recomendo. O leitor não vai ter crises de riso a cada tirinha lida, mas vai se divertir bastante. Pelo menos foi assim comigo.

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Sobre Daisuke~

Amante de cinema (e de arte e entretenimento de forma geral), adora escrever sobre filmes, livros, mangás, etc.

Publicado em fevereiro 14, 2013, em Recomendação da Semana e marcado como , , , , , , , . Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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