Review: O Livro do Cemitério (The Graveyard Book)

livrodoEsta é a minha primeira vez escrevendo sobre um livro. Paciência, então, vos peço. Espero que gostem. O livro escolhido para o meu debut no ramo foi O Livro do Cemitério (The Graveyard Book), escrito por Neil Gaiman (o homem por trás de Sandman e Coraline) e ilustrado por Dave McKean.

Ninguém Owens- ou Nobody Owens, no original. Este é o peculiar nome do protagonista do livro. O garoto teve sua família morta quando ainda era um bebê- e não, ele não ingressou numa escola de magia- e foi acolhido pelos mortos. “Mas o quê?”, o leitor se pergunta. Daisuke- e não Freud- explica. Nin- que é o seu apelido- foi adotado pelos fantasmas que viviam- eu sei que este não é bem o termo certo, mas prossigamos- no cemitério próximo à sua casa. E lá, o pobre garoto sem pai, sem mãe, sem irmã e sem nome, passaria a viver. O livro narra algumas aventuras e desventuras de Nin em sua vida em meio aos fantasmas, sendo ainda proibido de deixar o cemitério porque aquele que atentou contra ele e sua família- o homem chamado Jack- ainda está à solta.

Nós acompanhamos diferentes fases da vida do garoto e ainda, seu crescimento. Com seus já-falecidos companheiros, Nin aprende muito e evolui como pessoa. Dentre os mais notáveis à primeira vista, destaco Silas, seu guardião, e o casal Owens, que, como o nome indica, foi quem adotou o menino “oficialmente”. Claro, várias outras personagens surgem ao longo da história, mas não cabe a mim ficar citando uma por uma.

O grande trunfo da obra é tratar de um tema pesado como a morte com uma abordagem mais acessível aos jovens leitores. Nin é um garoto vivo que mora em um cemitério repleto de fantasmas. Digo, a morte é tratada de maneira quase poética e toda essa convivência- conmortência- do rapaz com os mortos lhe dá várias lições. Nin é um ponto de equilíbrio entre a vida e a morte, e é quase uma representação de como ambas estão próximas. Uma pessoa pode estar morta durante a vida, e outra pode estar viva durante a morte. Tudo é relativo e consequência de como cada um leva a vida- ou a morte. A narrativa de Neil Gaiman torna a obra não muito adulta para uma criança ou um adolescente, e não muito infantil para o leitor mais velho. Ou seja, é facilmente recomendável a qualquer idade.

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Outro fator interessante é a maneira como a história é desenvolvida. O começo da obra tem uma aura- por que não uma estética?- sombria e misteriosa. Toda essa atmosfera persiste no resto das páginas do livro, mas passa a ser aplicada de maneira diferente. A partir de um certo ponto, a obra segue mais o caminho ao qual já estava predestinada, sendo uma verdadeira história infanto-juvenil repleta de fantasia e efeitos sobrenaturais. O protagonista, ora criança ora adolescente, contribui em muito para isso. Mesmo assim, um mero garoto que mora em um cemitério em meio a um bando de mortos continua sendo algo que, por si só, já é detentor de uma carga sombria. Porém, ambos os lados- o infantil e o adulto- são balanceados competentemente, gerando uma obra agradável e divertida.

O livro tem muitos mistérios a serem resolvidos desde o início de sua trama. Desde as reais intenções do homem chamado Jack, até as origens do guardião Silas, que desde o começo nos é apresentado como não sendo nem vivo, nem morto. Claro que alguns necessitam, sim, de explicações e outros nem tanto. E talvez este seja o ponto fraco do livro. Nem tudo é explicado da maneira como deveria. Talvez numa tentativa de deixar a obra menos maçante e mais prática para os jovens leitores, Neil Gaiman tenha tentado simplificar muitos detalhes. E isso prejudicou, de certa forma, alguns dos mistérios que mais prendiam os leitores à obra.

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O universo criado pelo autor é cativante, e ele utiliza de muitas ideias- ah, eu não quero estragar a graça!- para suas personagens. Personagens essas extremamente cativantes. Desde a emotiva senhora Owens, o leal Silas, até a apaixonante Liza Hempstock- a fantasminha que não é o Gasparzinho, mas é camarada- e vários outros seres que dão o ar da graça e presenteiam os leitores com suas histórias de vida e morte. É uma trama muito bem estruturada que consegue, com competência, mostrar diversos momentos importantes da vida de Ninguém Owens, o Nin.

Os que conhecem alguma coisa de Guillermo del Toro (de O Labirinto do Fauno, citado neste post, e Não tenha medo do escuro) e, em menores proporções, Tim Burton- que dispensa apresentações-, já devem ter alguns exemplos de tramas fantasiosas e sobrenaturais que conseguem ser sombrias e encantadoras ao mesmo tempo. E é mais ou menos nesse grupo que se encaixa O Livro do Cemitério- que aparentemente vai ganhar um filme produzido pela Disney. A trama e a maneira como é narrada torna a obra acessível a todas as idades. Crianças, adolescentes, adultos, idosos e até os mortos podem ler e se deliciar com essa cativante história. Não tenho como não recomendar. Um excelente livro.

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Sobre Daisuke~

Amante de cinema (e de arte e entretenimento de forma geral), adora escrever sobre filmes, livros, mangás, etc.

Publicado em março 13, 2013, em Posts não-Otakus, reviews e marcado como , , , , , , , , . Adicione o link aos favoritos. 1 comentário.

  1. Olá.

    Achei interessante as ideias deste livro. Mas infelizmente não posso nem colocar na minha lista de leitura, pois, tenho uns trinta na vez me esperando. ^^

    Até mais.

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