Review: Infestissumam – Ghost

GhostInfestiReview
O novo álbum de Papa Emeritus e cia já está entre nós. E o Ghost se prepara para o seu grande ritual no Rock in Rio 2013. Será que o disco é mesmo tão bom?

Infestissumam é o nome do novo CD da banda sueca. Ele sucede o já imortalizado Opus Eponymous, que eu já resenhei por aqui. A faixa-título, de quase dois minutos, é uma introdução como há muito não se via. O coro e as guitarras dão um quê épico que é continuado por Per Aspera Ad Inferi e seus belos riffs. Finalmente a voz de Papa Emeritus II marca presença. O ritmo da música é bastante interessante, e já dá sinais do que vai ser o álbum. Diferente do Opus Eponymous, mas mesmo assim muito bom. Eu confesso que achei as letras de poucas das musicas (apenas das que já haviam sido divulgadas antes de o álbum vazar), então me abstenho de comentar esse quesito. Mas creio que todos saibam que as letras do Ghost tratam de satanismo, ocultismo, bruxaria, entre outros.

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Secular Haze, uma velha conhecida, começa. Seu primeiro minuto, instrumental, é espetacular e mostra que, no geral, as musicas do Infestissumam são mais trabalhadas tecnicamente falando do que as do Opus Eponymous. Os riffs são mais marcantes, as melodias mais variadas, e no geral o álbum é mais sombrio. A letra de Secular Haze também é bastante diferente do habitual do Ghost: é mais poética e subjetiva. Ela mostra que eles não precisam colocar “Satan” e “Lucifer” a cada frase para mostrar sua temática. Aliás, essa música tem até um clipe próprio. O vídeo é bem oldschool, até chega a lembrar o clipe de Paranoid, do Black Sabbath.

You know that the fog is here omnipresent

When the diseaser sees no cure

You know that the fog is here omnipresent

When the intents remain obscure 

Jigolo Har Megiddo começa com riffs marcantes e dançantes. O ritmo é muito bem elaborado e executado pelos Nameless Ghouls. O solo também é melódico e agradável. A já conhecida Ghuleh/Zombie Queen me deixou viciado por algum tempo. Ela tem uma letra bem estranha, e começa de um jeito atípico. Seu começo (os três primeiros minutos, aproximadamente), é bastante lento, mas é agradável. Quando o riff pesado anuncia uma mudança na música e ela enfim se agita, ela mostra a que veio. É dançante, é melódica, é diferente, é Ghost. Uma das melhores, se não a melhor do álbum.

 Zombie Queen
Zombie Queen
Black light guides you!
Ghuleh
Ghuleh

Year Zero é outra já conhecida- e tem um clipe bizarríssimo que mais parece ter saído de um filme do David Lynch. Quando ela foi divulgada, confesso que não me animou muito. Mas com o tempo eu já passei a gostar bastante dela. É perfeita para começar um show, por exemplo. Seu início sinistro com “Belial, Behemoth, Beelzebub, Asmodeus, Satanas, Lucifer” cria toda uma atmosfera. A letra dessa música é bem direta, lembrando bastante os hinos do Opus Eponymous. E o refrão dela abriga um grande e memorável coro de “Hail Satan!”. Um clima meio apocalíptico e épico é a marca registrada de Year Zero. Aliás, o trecho a seguir me agrada muito, mas eu não sei porquê.

 He will tremble the nations

Kingdoms to fall one by one

Victim to fall for temptations

A daughter to fall for a son

The ancient serpent deceiver

To masses standing in awe

He will ascend to the heavens

Above the stars of god. 

Body and Blood é uma das mais diferentes do padrão Ghost. Digo, mesmo que a banda esteja longe de ter um som “pesado”, essa música consegue ser especialmente lenta. Ela é bem calma e tem um refrão-chiclete bem pop. Mesmo assim, é muito boa. A contagiante bateria dá início à Idolatrine, que é mais uma com uma pegada mais comedida e ao mesmo tempo sombria. Ela me parece uma música bastante… err… teatral, digamos assim. Depth of Satan’s Eyes nos apresenta, mais uma vez, aos pesados e, como sempre, pontuais riffs da banda. O trabalho das guitarras é muito bom e sustenta a voz do Papa durante uma música bastante “misteriosa” que, como já é de praxe, tem um refrão bem interessante. Monstrance Clock– apelidada carinhosamente por mim como “Lucifer in the Sky with Diamonds”- é bizarra. No bom sentido, claro. O início da canção é extremamente macabro e sombrio. A voz de Papa Emeritus apenas acentua toda essa atmosfera estranha. Um ritmo lento carregado por um instrumental peculiar e competente. Falar que o refrão é memorável é chover no molhado se tratando de Ghost. A música se encerra repetindo várias vezes o seu refrão de um jeito bem mais lento, gradativamente desaparecendo, encerrando o álbum de maneira épica.

A capa do álbum é claramente inspirada no cartaz do clássico Amadeus, de Milos Forman, vencedor do Oscar de melhor filme do ano de 1985.

A capa do álbum é claramente inspirada no cartaz do clássico Amadeus, de Milos Forman, vencedor do Oscar de melhor filme do ano de 1985.

Hora de falar do álbum como um todo. Infestissumam é excelente, brilhante, um ótimo trabalho do Ghost, sem dúvidas. Ainda acho o Opus Eponymous ligeiramente- um pouco, apenas- melhor. Mas a verdade é que a banda mudou muitas coisas de um álbum para o outro. Muitos fãs mais puristas que esperavam um trabalho aos moldes do CD anterior provavelmente vão se decepcionar, mas o álbum novo é uma bela demonstração de que o Ghost não quer ficar estacionado em sua área de conforto durante toda a carreira. As músicas são muito mais elaboradas no lado instrumental, com os Nameless Ghouls tocando maravilhosamente bem. Assim como no Opus Eponymous, o álbum não tem solos tão longos e exagerados ou qualquer excesso. Porém, pegando os solos como exemplo, vemos que existe um capricho ainda maior no lado técnico e mesmo assim, os músicos não caem na tentação de exagerar em suas demonstrações de habilidade. Ainda nas guitarras- que junto à marcante voz do Papa, foram o grande destaque-, o Ghost mostrou riffs pesados que acrescentam em muito às musicas. Esses riffs, no geral, foram bem mais agressivos do que os do primeiro lançamento do grupo. Quanto aos outros instrumentos: continuaram supercompetentes e acentuando ainda mais as canções. Monstrance Clock, por exemplo, mostra um perfeito trabalho em conjunto dos Nameless Ghouls.

Sinceramente, mal posso esperar pelo show desses caras no Rock in Rio. A setlist deles provavelmente reunirá os dois álbuns lançados até então, e num evento com a estrutura do RiR, é quase certo que eles farão uma apresentação, ou melhor, um ritual, magnífico. Infestissumam é um excelente álbum. Independente de ser melhor ou não do que o seu antecessor, tem tudo para se tornar outro grande clássico dessa até agora curta, mas brilhante, carreira do Ghost.

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Sobre Daisuke~

Amante de cinema (e de arte e entretenimento de forma geral), adora escrever sobre filmes, livros, mangás, etc.

Publicado em abril 8, 2013, em Posts não-Otakus, reviews e marcado como , , , , , , , , , , , , , . Adicione o link aos favoritos. 1 comentário.

  1. Caetano do Nascimento

    Muito bom sua review, parabéns!

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