One-Shots de Junji Ito

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Olá! Hoje eu trago a vocês um post meio atípico. São dez recomendações de one-shots do Junji Ito (Uzumaki, Tomie, Gyo, etc), cinco por mim e as outras cinco pelo Schin, além de uma décima-primeira, pelo Luki. #Partiu?

Junji Ito é um dos meus autores favoritos, e do Schin também. A maioria já deve conhecer o cara pelo menos de nome, mas eu vou falar um pouco sobre ele antes das recomendações. Junji Ito é um mangaka de horror, que já teve, inclusive, um de seus trabalhos publicados por aqui.

As principais influências do autor são Kazuo Umezu (autor de Drifting Classroom e Fourteen) e o escritor americano H.P. Lovecraft. A narrativa de Ito é capaz de empolgar muito a seus leitores, e sua arte é como vinho: só melhora com o tempo. Como boa parte de suas histórias lida com eventos sobrenaturais, a maioria não têm explicações lógicas ou finais conclusivos, porque nem faria sentido, né? Antes das recomendações, tenho duas coisas a dizer. Se quiserem uma abordagem mais profunda do estilo do autor, sugiro que leiam este post do Elfen Lied Brasil (http://www.elfenliedbrasil.com/2011/10/o-estranho-mundo-de-junji-ito.html), visto que aqui o foco é nas one-shots. Obviamente, nós tentaremos dar o mínimo de spoilers possível, o que é bem difícil, visto que todas são histórias de apenas um capítulo. Abaixo vou colocar uma lista com todos os textos sobre obras do Junji Ito escritos por nós, até porque eles podem vir a ser úteis durante o texto.

Uzumaki (tem duas reviews escritas por integrantes do blog. Uma aqui no Mangathering mesmo, pelo Schin, e outra pelo Daisuke, para o Calibre Cultural)

Voices in the Dark

Flesh-Colored Horror

Lovesick Dead 

DAISUKE

1 – Library of Illusions (Biblioteca das ilusões)

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Essa one-shot, ah meu Deus! Ela provavelmente é a minha favorita do Ito. Library of Illusions conta sobre um homem casado que tem, em sua casa, uma biblioteca de aproximadamente 150.000 livros. Só que ele é completamente obcecado por essa coleção, e quando dois livros especiais (o favorito de sua mãe e o favorito de seu pai) somem, ele fica ainda mais insano, preocupando muito sua esposa.

Essa história é fenomenal! Nela, Junji Ito consegue abordar perfeitamente a obsessão humana. O desenvolvimento da trama é exemplar e bem dinâmico. O autor consegue fazer parecer que uma página equivale a dez, mas sem fazer a história ficar corrida ou vaga demais. Muito pelo contrário. Vemos a decadência gradual do homem, e um final excelente. É daqueles finais vagos típicos do autor, e é sensacional. Lembrando que essa one-shot faz parte da coletânea New Voices in the Dark (Shin Yami no Koe), que eu considero ser a melhor coletânea do tipo que eu já li, e provavelmente terá mais alguma história comentada aqui.

2 – Hanging Balloons (Balões suspensos)

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Essa one-shot é um pouco maior que o habitual, mas mesmo assim é difícil falar alguma coisa sem dar spoilers. A única coisa que o leitor precisa ter em mente é que ela fala sobre cabeças gigantes e flutuantes. Essas cabeças vão à procura de seu dono (ou seja, da pessoa com quem elas se parecem) para enforcá-lo.

Bizarro, não? Essa história é bem Junji Ito. O desenvolvimento e a narrativa são bons, apesar de não serem tão memoráveis se comparados a outras obras do autor, e o que chama atenção na one-shot é o final. Além de uma ideia completamente bizarra, Hanging Baloons tem um final muito bacana. Ela faz parte de The Face Burglar, o quarto volume da Junji Ito Kyoufu Manga Collection.

3 – Fallen

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Façamos uma coisa: eu direi a premissa básica, mas sem contar sobre o lado sobrenatural, ok? Porque, poxa, essa é daquelas histórias que deve ser lida, visto que qualquer coisa pode estragar a diversão. Uma onda de suicídios está acontecendo numa cidade. Erika, a mulher do protagonista, falha em sua tentativa e vai parar no hospital. Ela havia deixado um bilhete que dizia que coisas estranhas aconteceriam. Numa noite, Erika foge do hospital numa peregrinação com diversas pessoas misteriosas. E então, o que está acontecendo?

Outra história bizarra, mas extremamente recomendável. Aqui, Junji Ito utiliza o fator mistério, deixando um final extremamente vago, mas muito interessante. Acontecem muitas coisas estranhas na one-shot, mas nós- como sempre- ficamos sem saber a causa, e imaginando. O grande terror do homem é sua própria imaginação, afinal.

4 – Anything but a Ghost

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Se Quentin Tarantino consegue fazer uma cena de quase dez minutos com quatro mulheres falando de namorados ser interessantíssima graças a sua capacidade absurda em criar bons diálogos, Junji Ito monta uma das melhores one-shots que eu conheço em apenas vinte páginas. Como eu disse, são vinte páginas. Qualquer coisa é spoiler. Então apenas digo que a trama gira em torno de um homem que ajuda uma mulher misteriosa e ensanguentada no meio da estrada, e que eles acabam de certa forma se relacionando.

Essa é uma das one-shots que mais me impressionou, confesso. A história é tão bem contada que nem parece ter sido toda desenvolvida em vinte páginas. Todo o desenvolvimento é muito bom, e admito que Ito peca um pouco já na última página, nos dois primeiros quadros, mais específicamente falando. Mas essa ligeira correria no começo da página é facilmente justificável pelo final digníssimo. Aqui a arte de Ito está muito boa, e algumas páginas têm ilustrações bem legais. Como eu adoro Anything But a Ghost!

5 – My Dear Ancestors

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Uma garota chamada Risa é levada até sua mãe pelo seu namorado: ela passou por uma experiência que de tão traumática fez-lhe ter amnésia. Ela tem pesadelos e sensações horríveis relacionadas a essa coisa que lhe tirou a memória, mas ainda não descobriu de fato o que era. E aí, vai arriscar?

Essa one-shot é muito boa, claro, e tem uma das tramas mais estranhas que eu conheço. Obviamente, seria spoiler falar demais, mas adianto: é menos sobrenatural do que o habitual, mas não deixa de ser algo bizarro e impossível no “mundo real”. Mais uma vez Junji Ito trabalha com uma personagem que precisa fazer determinada coisa. Coisa essa que é tão necessária que acaba se tornando uma obsessão. Obsessão humana, como vocês sabem, é algo recorrente nas histórias junjitescas, e é sempre muito bem explorada.

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FAQ do Daisuke (?):

“mimimi faltou The Enigma of Amigara Fault!”
R: Eu gosto dessa one-shot. Realmente gosto. Mas a considero meio overrated. Tem gente que diz até que ela é a melhor obra do Junji Ito! Vê se pode! Ela é muito boa, com certeza, mas acho que as cinco listadas- e mais algumas que não foram citadas- são melhores.

“Eu te vi falando tão bem de uma outra one-shot em outro post, e você nem falou dela…”

R: Justamente por isso, meu caro. Eu evitei a todo custo citar one-shots que fazem parte de coletâneas já comentadas aqui no blog. É claro que existem algumas que facilmente entrariam nessas cinco recomendações, como Approval (de Voices in the Dark), mas eu não quis ser tão óbvio e repetitivo assim, oras!

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SCHIN

Foi MUITO difícil escolher apenas cinco, e se eu começar a pensar demais provavelmente vou mudar de ideia, hehe. Então vamos logo ver minhas preferidas:

1 – The Window Next Door  (A Janela ao Lado)

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Essa one-shot não é a maior, e nem a mais complexa de Junji Ito. Sua premissa é bem simples, quase não há reviravoltas e – bem, já deu pra entender que ela é simples. Mas ela consegue ser perturbadora pra mim em um nível que nenhuma outra consegue, fazendo valer o 1º lugar.

Hiroshi é um garoto normal, e um dia seu pai compra uma casa nova. Ele vai conhecer a vizinhança com a mãe, e eles descobrem algo.. curioso. Como a história só tem 15 páginas, não dá pra falar muito mais que isso.

2 – The Town Without Streets (A Cidade Sem Ruas)

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The Town Without Streets é bem maior que as one-shots habituais do Ito, mas vale a pena. Essa história tem uma narrativa bem legal, e tem tantos elementos bizarros e aleatórios que se torna bem divertida.

Vou dar uma sinopse bem superificial: Tudo começa quando Saiko sonha com um garoto de sua escola, e começa a gostar dele. Logo ela começa a ter conflitos (não relacionados) com sua família, e após uma série de incidentes, resolve ir morar com sua tia Tamae – chegando na titular cidade, onde a bizarrice da história só aumenta.

3 – Long Dream (Sonho Longo)

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Essa é uma das one-shots mais conhecidas do Ito, e por um motivo. Sua história é espetacular, perturbadora e bizarra ao mesmo tempo – fora que lida com um elemento que, embora surreal, podemos nos relacionar. É possível se imaginar na pele do protagonista.. e dá arrepios só de pensar nisso.

Mami Takeshima está doente, internada e acredita que está prestes a morrer. Do quarto do lado, está Tetsuro Mukoda, um homem que se internou devido aos seus sonhos bastante… peculiares, causando ao mesmo tempo fascínio e horror em seu médico, o Dr. Kuroda.

4 – Ryokan

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Ryokan é uma história muito legal, onde Ito mais uma vez analisa a paranoia de um homem – e pra variar, uma paranoia com conseqüências bem marcantes. Ficando mais perturbadora conforme vai avançando. Eu gosto bastante dessa one-shot.

Um belo dia, a garotinha Mitsuyo vê seu pai largar o trabalho para seguir comandos dados em um sonho: o de construir um Ryokan, uma típica pousada japonesa , fazendo com que ela fuja com a mãe. Dez anos depois, um amigo de Mitsuyo houve o relato, e resolve tirar à prova sua veracidade…

5 – Scarecrows (Espantalhos)

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Essa história segue o padrão ‘clássico’ de Junji Ito, que não esteve tão presente nessa lista. Um elemento sobrenatural, arrepiante e perturbador, que simplesmente está lá, sem explicação. Novamente, o autor mostra que é o mestre no que faz em uma one-shot muito boa.

Namata perdeu sua única filha, Yuki, depois que ela se matou. Revoltado com Toshio -outrora namorado de Yuki – Namata coloca um espantalho na frente do túmulo da filha, para espantá-lo de lá. Mas isso é só o começo de uma mudança que chocará a cidade inteira…

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LUKI (bônus)

Human Chair

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Human Chair foi uma one-shot que descobri de forma bem aleatória, e acabei gostando muito. Ela foi publicada na Big Comic Original, em 2007, e parece ainda não ter sido publicada em nenhuma compilação. Aliás, ela é adaptação de uma história de Edogawa Ranpo, um renomado escritor japonês do começo do seculo 20. (Outros mangakas, como Suehiro Maruo, já fizeram adaptações de histórias dele, e ele já foi referenciado diretamente em obras como Detective Conan)

A premissa é bem simples e com potencial pra bizarrices, de uma maneira bem típica do Junji Ito. Uma escritora acaba passando por uma marcenaria e resolve aproveitar para comprar uma cadeira. Lá, o atendente começa a contar uma história sinistra envolvendo uma das cadeiras do local… e isso ocupa basicamente toda a one-shot, então não vou revelar detalhes dessa meta-história, mas o nome já dá uma boa pista.

O roteiro é bem direto, e por ser basicamente uma história contada, usa de muito texto. Mas isso não é um problema em nenhum momento, a leitura é bem fluida, mantendo o leitor interessado a cada página. O Ito usa de boas ideias, criando uma história bem criativa, e que embora não tenha cenas muito assustadoras ou fortes, tem alguns momentos que podem ser um pouco pertubadores. A obra não tem muitas inovações narrativas também, a sensação ao final foi simplesmente que eu tinha acabado de ouvir uma história que se assemelha a uma lenda urbana. E sendo o Junji Ito que está contando essa história, vale a pena.

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Sobre Daisuke~

Amante de cinema (e de arte e entretenimento de forma geral), adora escrever sobre filmes, livros, mangás, etc.

Publicado em junho 9, 2013, em Especial, Listas, Personalidades e marcado como , , , , , , , , . Adicione o link aos favoritos. 2 Comentários.

  1. Onde encontro esses mangás para ler online?
    E parabens pelo blog valeu

  2. Wow, ótimo post! Minha coleção de oneshots do Junji preferida também é New Voices in the Dark. Tem as minhas histórias preferidas do autor, e ainda o divo Souichi.

    Eu sou um grande fã do Junji Ito, acho que é meu mangaka favorito, e agradeço a vocês isso. Conheci ele depois da review de Lovesick Dead que eu li aqui uma vez e fui procurando mais coisas dele pra ler, quando me dei conta já tava apaixonado pelas histórias dele.

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