Recomendação da Semana: Koe no Katachi

Eu sei que a época que essa mangá era super comentado passou, eu sei…

É difícil obras conseguirem ser realmente tocantes. Não adianta criar um drama forçado, ela tem que te convencer. E normalmente isso requere um tempo para desenvolvimento de personagens, do universo do mangá… Oneshots sofrem mais com isso pelo número reduzido de páginas, que dificulta a capacidade de criar impacto. Claro, a não ser que o mangaka seja muito bom, e ele tenha escolhido um tema também muito bom para contar neste número reduzido de páginas.

E esse é Koe no Katachi. Oneshot de meras 61 páginas (é um número relativamente grande para história únicas, mas vá lá…) publicado em 2011 na Bessatsu Shounen Magazine (Shingeki no Kyojin, Aku no Hana). Recentemente, o oneshot foi republicado na antologia principal da editora, a Weekly Shonen Magazine (Fairy Tail, Kimi ni Iru Machi, Baby Steps, etc), graças a sua qualidade e justamente, impacto, causado juntamente pelo tema e pela habilidade da mangaka (Ooima Yoshitoki, desenhista de Mardock Scramble).

Enfim, vamos parar de enrolar. Koe no Katachi é uma história sobre bullying escolar. Sim, sim, pode até ser batido, mas ainda é algo importante de ser comentado, especialmente no Japão, que (posso estar totalmente errado, relevem isso caso esteja) parece ter nisso um problema mais sério.

A história começa com a apresentação de uma nova aluna na classe. Ela é Nishimiya Shouko, uma garota com deficiência auditiva. No começo, a classe se esforça para ajudá-la com os problemas básicos que isso trata. Porém, isso vai mudar logo…

Como sempre, é complicado sinopsiar uma one-shot, pois o limite entre “explicar sobre o que vai ser a história” e o “estragar sua experiência contando demais” é indefinido.

Enfim, a mangaka consegue transmitir a história com bastante competência, usando de uma narrativa fluida e agradável que, além de tudo, contrasta bem com o tema mais pesado da história.

Uma grande qualidade da mangaká que podemos conferir nesse mangá é uma inovação na narrativa. Yoshitoki usa de novos meios para contar essa história sobre bullying, assim criando uma experiência menos clichê, de forma que os temas apresentados causem um impacto maior ao leitor.

Outro ponto positivo é o equilíbrio na hora de apresentar os acontecimentos. Vários momentos são fortes e/ou revoltantes, mas a obra nunca vai muito longe ao ponto de ficar exagerado demais, de forma a perder a verossimilhança necessária. Um ponto que pode ser criticado é o final soar um pouco forçado, mas acho que é uma licença poética válida, pois maiores explicações tirariam um pouco da fluidez da narrativa, e talvez o final perdesse um pouco da força.

É realmente difícil falar muito, mas no geral, o enredo é desenvolvido de forma coerente e instigante, e o mangá consegue ser mais do que algo que simplesmente diz “bullying é errado”, o que bem, a maioria de nós já sabe. Koe no Katachi tem uma história bem escrita e bem narrada por trás para dar apoio a essa afirmação.

Uma leitura recomendada, com certeza. Um one-shot inteligente e emocionante, que não apela para nenhum extremo – dramatismo exagerado ou facilidade de resolução exagerada – para contar o que tem para contar.

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Publicado em julho 18, 2013, em Recomendação da Semana e marcado como , , , , , , . Adicione o link aos favoritos. 1 comentário.

  1. Apenas divulgando que nós fizemos o capítulo 01 da serialização de Koe no Katachi que começou na Shonen Magazine.
    http://abnormalscanlator.wordpress.com/2013/08/09/koe-no-katachi-capitulo-01/

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