#Mangathering2Anos Review: O Garoto Verme

1Olá, queridos leitores do Mangathering. Pois bem, ultimamente o blog anda meio parado e tudo mais, eu sei, eu sei. Porém, não poderíamos deixar esta data passar em branco, afinal, hoje é o aniversário de 2 anos do Mangathering! Então, nós temos novidades: página de reviews atualizada, cabeçalho do blog e do facebook atualizados, post novo e página da equipe atualizada com a nova integrante do Mangathering, a linda, diva e maravilhosa Ana (logo o nick dela aparecerá na aba de autores aqui ao lado). Seja bem-vinda, moça!

Mas esse post aqui é meu, senhoras e senhores! E hoje eu falarei de um mangá muito interessante de autoria do mestre do horror, Hideshi Hino, autor dos já resenhados Panorama do Inferno e A Serpente Vermelha (curiosamente, resenhado no aniversário de um ano do blog). A obra em questão é O Garoto Verme, volume único lançado em terras tupiniquins pela Zarabatana Books.

Primeiramente, o autor: Hideshi Hino é uma figura ímpar. Talvez nem Junji Ito, Shintaro Kago, Kazuo Umezu e muito menos Suehiro Maruo cheguem perto do grau de bizarrice contido em suas obras. Mas apesar desse tratamento hiperbólico do autor à bizarrice, Hideshi Hino tem algumas características bastante claras, que eu cheguei a comentar nos outros posts sobre seus mangás. O inferno é uma fixação do autor. Não o inferno “tradicional” que logo imaginamos ao ouvir a palavra, mas sim o inferno de cada um. As protagonistas de Hino vivem em ambientes insuportáveis, onde são rejeitadas e mal tratadas, e no decorrer das histórias as situações pelas quais elas passam apenas pioram, pois tudo sempre pode piorar. Outra característica marcante de Hino são as referências ao horror da guerra (em parte, algo meio autobiográfico) que ele insiste em fazer demonstrando deformações, vícios e ausência total de virtudes em suas personagens e no mundo em que as cerca.

O Garoto Verme é uma viagem kafkiana pelo inferno de Hideshi Hino: o título explica bastante da trama, que gira em torno de Sanpei, um garoto estranho com manias mais estranhas ainda, e que é recluso em todos os lugares possíveis, mesmo em sua própria casa, onde vive sendo constantemente pressionado pelos seus pais devido aos seus péssimos resultados escolares e manias estranhas- e também sendo constantemente comparado aos seus irmãos, exemplos da virtude. Certo dia, Sanpei é picado por um bicho misterioso e… bom, vocês sabem.

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Os mangás de Hino são caricatos por natureza, o que já fica evidente pela própria arte do autor, mas não só por ela. O narrador nunca se aprofunda muito nos acontecimentos, fazendo com que a trama se passe rapidamente com vários acontecimentos mostrados em pouco tempo; e as situações bizarras criadas por essa mente genialmente doentia são aplicadas com maestria para mostrar a rejeição das outras pessoas aos protagonistas de suas obras. Sanpei, por exemplo, é feio, tímido e tem uma fixação enorme por animais (inclusive por vermes), o que o faz ser detestado em seu colégio. Por não ser um garoto exemplar e muito menos uma pessoa “normal”, também sofre com as cobranças de sua família. Sanpei apenas consegue se sentir bem quando está com os vários animais das proximidades de um depósito de lixo que logo se tornaria o seu “novo lar”, o seu refúgio.

Porém, uma das coisas que mais chama a atenção em O Garoto Verme, principalmente se comparado ao masterpiece A Serpente Vermelha, é a maturidade de Hino. Aqui ele não se aproveita tanto das bizarrices e situações absurdas, mas chega a adotar uma postura menos caricata ao demonstrar os sentimentos de sua protagonista: dessa vez é algo realmente melancólico. Quando Sanpei, já como um verme, passa a vagar pelo mundo fica evidente o sentimento de não pertencer a lugar algum. É uma abordagem muito mais séria do que apostar em bizarrices como uma velha que acredita ser uma galinha, mas que é tão competente quanto, à sua própria maneira.

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Com uma abordagem diferenciada, mais madura, porém sem perder o teor caricato característico de seus trabalhos, Hideshi Hino costura o melancólico sentimento de exclusão a pilhas de cadáveres e carcaças, constituindo uma fascinante viagem kafkiana pela essência do ser. O humor ácido ainda está lá, as metáforas frequentes em toda sua obra também, porém, desta vez todas as características de Hino se somam a um caráter mais sério, constituindo uma mistura fascinante entre forma e sentimento. Mais do que recomendado.

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Sobre Daisuke~

Amante de cinema (e de arte e entretenimento de forma geral), adora escrever sobre filmes, livros, mangás, etc.

Publicado em dezembro 18, 2013, em reviews e marcado como , , , , , . Adicione o link aos favoritos. 3 Comentários.

  1. Feliz 2 anos de blog para o blog sobre mangos que quase nunca fala sobre mangos. E diria que fiquei até interessado nas obras do Hideshi Hino, mas como sempre me falta dinheiro. Aceito como presente de formatura, Sor Hipster.

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