Review: Oito e Meio

Não, isso não é nenhuma ilusão. Seus olhos não estão te enganando, caro leitor. Danilo voltou! Após mais de um ano sem exercitar meu teclado, estou de volta. Alguns (?) devem estar se perguntando “Mas por que sumiu por tanto tempo, Danilo?”. Eu adoraria fornecer-lhes esta informação, mas, por motivos judiciais, não me encontro em posição para tal. O que eu posso dizer é que estou completamente enferrujado e que preciso resolver isso, portanto, vamos ao texto.

Meu retorno se deve a dois fatores: o tédio da noite de Natal e um filme que mudou um pouco minha visão de cinema. O primeiro fator não vem ao caso, já o segundo é justamente o tema do texto: Oito e Meio, obra prima do renomadíssimo Federico Fellini.

Lançado em 1963, o filme estrelado por Marcelo Mastroiani começa de maneira enigmática: um homem encontra-se preso dentro de um carro em meio a um engarrafamento. Seu carro começa a soltar fumaça na parte interna e ele então entra em desespero por não conseguir abrir nem as portas, nem as janelas. O cenário em volta é um tanto perturbador, pois enquanto assistimos a luta do homem para escapar do carro, todos a sua volta ignoram aquilo, alguns até parecem observar tranquilamente, como se nada estivesse acontecendo. Depois de se debater por algum tempo, o homem consegue sair pelo teto solar e começa a voar para a liberdade. Até que é puxado de volta para o chão por dois homens como se fosse um balão. E então começa de fato a história, já que a cena inicial era na verdade um sonho de Guido Anselmi (Marcelo Mastroiani), um diretor de cinema que se encontra em uma fonte de águas termias afim de relaxar e buscar inspiração para uma nova produção, já que vive uma crise criativa.

A trama se desenrola justamente em cima da busca de Guido por criatividade e da pressão vinda de todas as direções por parte de todos que o rodeiam. Em seu período na pequena cidade das fontes termais, o diretor tem de lidar com seu investidor (que precisa que o novo filme seja um sucesso já que os últimos aparentemente não atingiram grande êxito), com sua esposa (que acha que o casamento deles é um fracasso pois Guido não lhe dá a mínima atenção), com a atriz que ele escalou para protagonista (que quer logo saber quais são suas cenas, decorar suas falas, etc) e até mesmo com sua amante (que não está satisfeita com a atenção recebida de Guido), entre outras figuras que vão aparecendo no decorrer da história.

O filme traz consigo alguns fatos interessantes. Aparentemente, Fellini fez em Oito e Meio uma espécie de espelho do momento que ele próprio vivia em sua vida. Há algo mais genial do que quebrar um bloqueio criativo do que retratando o mesmo? Essa grande sacada metalinguística de Fellini torna o filme ainda mais grandioso. A história principal do filme em si não é o que o torna especial, mas sim a forma como está é trabalhada e invadida por diversos sonhos, devaneios e flashbacks de Guido. Em alguns momentos, você se encontra perdido em relação ao que é real dentro da história e o que está se passando apenas na cabeça de Guido. Mas afinal, será que nossos devaneios não fazem parte da realidade? É um questionamento interessante que Fellini deixa com esse filme. Guido é explorado inteiramente, sua mente, suas inseguranças, seus desejos, e é através destas cenas fantasiosas que acabamos conhecendo um pouco de quem ele realmente é. E, por que não, de quem realmente é Federico Fellini.

Confesso que meu interesse pelo diretor italiano não era dos maiores. Entretanto, por conta do destino (e da escola), tive de fazer um trabalho sobre o Federico. E, olha, só posso dizer que foi um dos melhores trabalhos de escola que eu já fiz, pois me mostrou que cinema pode ser muito mais do que um enredo emocionante com grandes desfechos inesperados e cheios de falas impactantes. O algo mais de um filme pode estar em cenas aparentemente sem sentido, que ao mesmo tempo que podem estar ali só por estar, podem também trazer algo oculto por detrás que te faz enxergar além daquilo que está sendo mostrado.

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Publicado em dezembro 27, 2013, em reviews e marcado como , , , , . Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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