Arquivos do Blog

#Mangathering1ANO Review: Dorohedoro Vol. 17

Olá, caros leitores do Mangathering! Estou de volta com um novo post para o aniversário de nosso querido blog, e dessa vez vou fazer algo diferente – uma review do Volume 17 de Dorohedoro, que foi lançado no fim de setembro e traduzido um pouco depois. Enfim, vamos lá!

AVISO: Esse post VAI conter spoilers, e é direcionado a quem acompanha a série. Se pretende ler.. continue a seu próprio risco.

doro

Leia o resto deste post

Anúncios

Recomendação da Semana: Personant

“Está sem ideias? Leia um one-shot e o recomende, correndo.” – Lucas Paulino

Personant 0 at MangaFox.com

Personant é um one-shot de 58 páginas feito por Komi Naoshi, que publicou Double Arts e agora publica Nisekoi na Shonen Jump (Eu não preciso falar que revista é essa, certo? Prossigamos). Foi publicado em uma revista mensal da linha Jump, a Jump SQ (Que tem Claymore e Ao no Exorcist), em 2008.

A história se passa em um futuro distante, no ano de 3333, em que todos usam as “Personants”, que são como máscaras de alta tecnologia, criadas pra evitar discriminação e desigualdade (A ideia é de que todos seriam IGUAIS usando aquelas mascaras, o rosto de todos não seria visto). Já se passaram 100 anos desde que as máscaras foram implementadas, e a sociedade se adaptou a isso… Mas ainda assim, um homem não usa essas Personants, e é o criminoso mais procurado do planeta.

É uma premissa bem interessante, e que abre alguns questionamentos. “Vale a pena abdicar da invididualidade em nome da paz ?” “Um mundo assim seria bom de se viver?” Não são muito explorados, até pelo curto espaço, mas são ideias interessantes. O mangá poderia ser ótimo se durasse  um pouco mais de tempo, como um volume ou dois.

O desenvolvimento da one-shot não é muito surpreendente. Como é comum, a falta de espaço acaba fazendo algumas coisas (motivações, passado dos personagens, etc) serem explicadas por diálogos mais expositivos. Não é ruim, é bem feito dentro das possibilidades.

Gosto muito do traço do Naoshi. É bem agradável e bem desenhado, enquanto com um espírito bem shounen. A narrativa dele também é agradável, e transforma a história em algo bem divertido de ler. A conclusão é bem feita, apesar de não ser nada muito surpreendente… são cenas legais.

É uma história com uma premissa interessante, que merecia ter sido melhor desenvolvida em mais capítulos. Ainda assim, é uma leitura muito divertida. Se você gosta das obras e dos personagens do Naoshi, deve gostar.

Recomendação Especial #1 – Misfits (A série, não a banda)

“Superheroes? What kind of fucked up world would let this happen?”

Então, como o Mangathering nasceu com a liberdade pra falar de coisas não relacionadas a animes e mangás, uma nova seção se iniciará hoje.

Duas vezes ao mês, teremos uma recomendação, no estilo das nossas recomendações semanais, só que de outra mídia, que não… animes e mangás. Poderá ser um filme, uma série, um livro, um jogo, uma banda (ou álbum), basicamente qualquer outra coisa. Então, pra começar….

Misfits é uma série britânica de 2009 que segue um grupo de jovens por volta de seus 20 anos que cometeram delitos e tem de cumprir serviço comunitário juntos. Um dia, eles são atingidos por uma tempestade, e percebem que ela os deu… superpoderes. A série então, mostra o dia-a-dia deles enquanto cumprem sua pena, e enquanto aprendem a lidar com seus poderes.

Ela teve 3 temporadas agora, e como é comum em séries britânicas, de poucos episódios. Foram 21, até agora. Ou seja, não é nada difícil chegar nos atuais e ter que ficar esperando a próxima.

O grupo de personagens que protagoniza a série é muito bom. Não por si só, mas eles começam a série como completos desconhecidos que tem que se manter juntos, e depois, manter o segredo dos poderes juntos. Isso leva a bons momentos, enquanto eles tem que se acostumar a estar juntos, a conviverem. A evolução da relação deles é bem interessante.

E os protagonistas estão longe de serem bonzinhos (Bem, eles começaram a série cumprindo uma pena, né??). A ideia de usar os poderes para o bem nem passa pela cabeça deles, e quando alguém menciona a ideia, todos riem. Eles também não são malvados, são simplesmente… jovens.

É uma série que tem uma direção muito bem feita, bons atores, e uma história que, apesar de não se desenvolver muito no começo, é bem interessante. Os episódios mantém um ritmo muito bom. Ela ainda está em andamento, com a quarta temporada começando em… algum momento desse ano.

Se você quiser ver uma série com um clima diferente, criativa, sem ser tão longa quanto as séries americanas, e com doses de humor negro, veja Misfits. Vale a pena.

(

Recomendação da Semana: Hoshi no Koe (Voices of a Distant Star)

Serei (ou tentarei ser) um pouco mais direto dessa vez.

Hoshi no Koe é um mangá desenhado por Sahara Mizu (a mesma que fez o elogiadíssimo Watashitachi no Shiwase no Jikan), baseado no OVA original produzido por Makoto Shinkai, e foi publicado na revista Afternoon (Que contém, entre outras coisas, Ah! My Goddess e Vinland Saga), revista seinen da Kodansha. Só possui um volume.

A história se passa em um futuro alternativo, em que a humanidade descobriu a presença de aliens (chamados Tharsians), e envia varias pessoas selecionadas ao espaço para confrontarem esses aliens. Mikaku foi uma das escolhidas e tem que participar da resistência, enquanto deixa pra trás seu planeta, incluindo seu melhor amigo e garoto que ela amava, Noboru.

Apesar de incluirem aliens, elementos de sci-fi e coisas do tipo na história, o foco dela passa longe disso. É uma história de romance entre duas pessoas que foram separadas, e ficam a distâncias cada vez maiores, só tendo mensagens de texto, que demoravam cada vez mais para serem recebidas, pra se comunicar.

O traço da autora é muito bonito, e dá o clima perfeito a história. A narrativa é bem tocante, com algumas cenas que são realmente muito bem-feitas. O enredo flui muito bem nesses poucos capítulos, a preparação pra cena final é muito bem construída. Os dois protagonistas também são muito bem construídos, a vida de cada um e suas angústias são feitas de forma fantástica

Em resumo, é uma história de romance tratada com seriedade e beleza, sem chegar PERTO de ter algum fanservice. Uma leitura rápida, e que é  difícil de se arrepender de ter feito. Se você quiser ler um romance mais sério, mas ainda assim emocionante, leia. O mangá foi publicado pela editora Panini, e em uma ótima qualidade. Recomendação feita.

Recomendação da Semana: Hotel

Luki aqui, pessoal. Seguindo as recomendações da semana, e continuando com a minha falta de criatividade, vou fazer, como o Daisuke fez semana passada, a recomendação de um one-shot. Meu one-shot favorito, aliás. Hotel é uma obra de Boichi, um autor coreano que tem, entre outras obras, o razoavelmente conhecido Sun-Ken Rock no currículo.

A história começa com um cientista anunciando que a humanidade finalmente conseguiu. Que as ações dela destruíram o planeta terra, que seria só questão de tempo. O grupo de especialistas, então, decide que vão trabalhar em duas grandes obras. Uma arca, para levar o DNA humano a um sistema solar distante onde o homem poderia sobreviver, e uma torre, onde o DNA de todas as outras espécies seriam guardados, o tal Hotel. O máximo que eu vou falar da história é isso.

O autor é muito bom. Em quarenta páginas, ele consegue fazer uma história completa, com um começo, um desenvolvimento e um final do mesmo nível. Todos excepcionais. Em quarenta páginas, a obra conseguiu me prender ao ponto de eu quase lacrimejar. Em quarenta páginas, ele fez uma história com mais profundidade que muitos mangás não tem em centenas de capítulos. Um enredo que foi narrado de forma incrível, em só quarenta páginas.

O traço do autor é fantástico. As páginas coloridas do começo, de um tom avermelhado, deram um clima muito bom para o que viria. Para mim, combinou perfeitamente com a história. Fora isso, o traço é muito bem feito, e consegue dar um impacto muito grande às cenas.

É uma leitura rápida (Caso eu não tenha falado ainda, tem só quarenta páginas!), uma história muito bonita, e que é muito improvável que você irá se arrepender de ler. Tire alguns minutos do seu dia pra conferir. Vale a pena.

Review: 20th/21st Century Boys, de Naoki Urasawa

“E pensar no que nossa imaginação foi capaz de fazer, hein, Kenji?” – Otcho

E aqui estou eu, Luki/L. para um novo post no blog, e minha primeira review. 20th Century Boys é um mangá que vários já devem ter lido, que fez algum sucesso no fandom de mangás (e merecido!), e que se você não leu, deveria consertar isso logo. Esta review pode parecer um pouco redundante, vários outros blogs já resenharam esse mangá, mas como ele é um de meus favoritos, me sinto na obrigação de fazer isso.

Naoki Urasawa é um mangaka muito renomado, com suas obras fazendo relativo sucesso até mesmo do outro lado do oceano, o que é raro se tratando de mangás seinen. 20th Century Boys, que foi publicado de 1999 até 2006, pela revista Big Comic Spirits (A mesma de mangás como Homunculus, Oyasumi Punpun e I Am a Hero) talvez seja sua obra mais conhecida, talvez a melhor.

Urasawa é considerado um mestre dos mangás de suspense, e 20th Century Boys foi o maior mangá desse gênero que ele fez até o momento, com 22 volumes mais 2 de sua continuação, 21st Century Boys. A obra ganhou vários prêmios, como o Kodansha Manga Awards (Lembrando que o mangá foi publicado pela editora Shogakukan!) e o Shogakukan Manga Awards, ambas premiações bastante prestigiadas.

À primeira vista, a história de 20th pode parecer um pouco boba. No começo, somos apresentados a um grupo de garotos de 1973, que brincavam de serem heróis que iam salvar o mundo, e criavam as ameaças que o mundo teria de enfrentar… Todas essas brincadeiras, típicas de uns garotos de 10/11 anos, eram anotadas em um livro, um diário deles, que ficava guardada em uma “base secreta”. O tempo passou, a base secreta acabou sendo destruída por algo que seria construído naquele lugar, e tudo é esquecido. Vinte anos depois, Kenji Endo, um dos garotos, trabalha na loja de conveniência de sua mãe, e tem de cuidar de sua sobrinha, pois sua irmã tinha sumido sem dar mais notícias. Até que um dia, ele descobre que um de seus amigos daquela época, Donkey, havia cometido suicídio. Espantado, Kenji procura descobrir mais sobre isso, pois era muito pouco provável que seu amigo se suicidasse. Tentando descobrir sobre isso, ele descobre que o tal amigo participava de um tipo de organização, chamada “Partido da Amizade”, liderada por um homem conhecido simplesmente como “Amigo”, e que essa organização planejava… a destruição do mundo no ano 2000. E mais, o plano desse ‘Amigo’ era idêntico ao que Kenji e sua turma tinham inventado, vinte anos atrás! Além do mais, o Amigo usava uma máscara com um simbolo que o seu amigo Otcho tinha criado na infância. Agora Kenji vai ter que juntar seus velhos amigos de infância, para salvar o mundo de novo. Dessa vez, na vida real.

A história pode soar absurda por essa sinopse, mas ela é conduzida de uma forma brilhante. No começo, a série tem um rítmo mais lento, menos apressado, enquanto mostra cenas do passado, do presente e do futuro. Mas logo ela começa a prender bastante sua atenção, fazendo você ler volumes em sequencia para querer saber o que vai acontecer e descobrir alguns dos mistérios. A narrativa do Urasawa é uma das coisas mais incríveis desse mangá. Desde a capacidade de prender o leitor, até a criação de cenas que podem ser consideradas épicas, você fica impressionado. Mas além dessas cenas impactantes, feitas pra você vibrar ou ficar impressionado, o Urasawa também consegue fazer cenas simples, como um personagem olhando pro alto após uma conversa, ficarem excepcionalmente bonitas. Isso foi o que mais me impressionou lendo o mangá.

O traço ajuda bastante a narrativa. Ele é muito bem feito, e o uso dos quadros, de perspectiva, de ângulo dos desenhos fazem cada cena ficar mais impressionante. Outro fator é que a história mostra os personagens nas mais variadas idades, e o traço faz um trabalho magnífico em retratar os personagens nessas diferentes idades. Você consegue perceber que se trata do mesmo personagem, consegue ver a semelhança, o que é outro fator que me marca bastante quando eu penso nesse mangá.

Aliás, não só na aparência você vê as semelhanças entre os personagens e suas contrapartes do passado. Pessoas mudam, mas algo do jeito antigo delas ainda está presente. É possivel perceber que personagem tal faria exatamente aquilo, tendo em vista que no passado ele era daquele jeito… Esses personagens, por sinal, são íncriveis. Todos são muito bem construídos, afinal, durante a série, nós vemos o crescimento de cada um dos protagonistas: como eles eram no passado, porque eles são assim hoje e vários personagens são aqueles que você para pra dizer: “Esse cara é   foda!”

Mais do que uma história épica que fala sobre a salvação do mundo, 20th Century Boys é uma obra que também toca em outros aspectos. Logo somos apresentados ao passado dos personagens, e vemos como nem sempre vamos conseguir realizar tudo que sonhávamos quando menores, que o futuro nem sempre será glamouroso como desejamos, mas que você ainda pode continuar tentando, que você pode conseguir realizar seus sonhos. Kenji não conseguiu e virou um adulto qualquer, sem muitas perspectivas, mas os acontecimentos o impulsionaram para ele ser o garoto determinado de antes, e ter outra chance de realizar seus objetivos.

Outro fator que eu percebi lendo a série é como ela faz uma homenagem a diversos elementos da cultura pop. Mangás antigos, como Ashita no Joe, são citados, o rock’n’roll é homenageado diversas vezes durante a série, elementos de ficção científica…

Sinceramente, acho que nada realmente me incomodou neste mangá. Mas eu reconheço que a história pode parecer um pouco exagerada, talvez até fantasiosa em alguns momentos. Mas esse fator que pode ser negativo, para mim foi positivo, pois momentos muito legais do mangá surgiram por causa disso. Outro ponto que pode ser criticado é que da metade pra frente, o ritmo da história começa a variar. Alguns momentos são muito corridos, outros são mais enrolados. Mas a história me envolveu de tal forma que isso mal foi percebido por mim.

Para terminar, uma das razões que imagino para esse sucesso de 20th oversea é que ele pode ser considerado a obra perfeita para introduzir o leitor ao mundo dos mangás seinen mais “sérios”, digamos (Porque a quantidade de seinen babaca por aí é absurda). A história é muito bem trabalhada, com uma narrativa diferenciada, mas ainda assim a obra contém elementos que agradariam muitos acostumados ao shonen. Cenas feitas pra você pensar “Que foda”, personagens determinados querendo derrotar o mal, frases de efeito, enfim, fatores que fazem um leitor de um Shonen comum da Jump, por exemplo, não ser jogado em algo totalmente diferente. Isso não é uma crítica, nem de longe. Até porque os fatores que mencionei não são ruins por si só, dependem de como são usados.

Mesmo que algo mencionado possa te incomodar, 20th Century Boys ainda é um grande mangá, e que eu considero uma obra prima. Acho muito difícil que você vá ser arrepender de ter lido. É um mangá que consegue ter cenas épicas e momentos muito bonitos ao mesmo tempo. É uma das poucas obras que ganhou uma nota 10 comigo. Talvez eu esteja sendo exagerado? Talvez. Mas que 20th é um mangá incrível, isso não pode ser negado.

Lucas “L.”