#JumpWeekend Review: Sket Dance

“Não precisa de motivo pra ajudar um amigo em apuros! Eu disse que faria, então vou fazer! Eu… nunca trairia um amigo. Não importa se alguém já te traiu alguma vez, eu não sou assim!”

O Jump Weekend é um projeto de blogagem coletiva, com vários blogs postando sobre mangás/mangakas/ qualquer coisa relacionada a famosa revista Shonen Jump. O Mangathering também está dentro dessa. Então, nesse post, falarei de um dos meus mangás favoritos da Shonen Jump, Sket Dance (oh, really?).

A série não teve tanta sorte assim no começo de sua vida, no ano de 2007. Durante um bom tempo, ela ficou lutando contra o cancelamento, e causando aflição nos (na época poucos) leitores de que a série acabaria de forma prematura. Mas em uma rara amostra de justiça nesse mundo dos mangás, Sket começou a ganhar popularidade, e atualmente se mantém muito bem na revista, obrigado. Com direito até a um anime lançado em 2011, que já passa dos 60 episódios. Mais que merecido para essa ótima série de (na maior parte do tempo) comédia.

A obra de Shinohara Kenta conta a história de Fujisaki Yuusuke, conhecido como Bossun, Usui Kazuyoshi, conhecido como Switch e Onizuka Hime, conhecida como Himeko. Os 3 fazem parte de um clube escolar nomeado Sket-Dan, que tem como objetivo auxiliar os estudantes com seus problemas.

Switch é um otaku popular entre as garotas (Soa contraditório, eu sei) com uma rede de informações imensa quanto aos estudantes da escola, que só fala por um programa de laptop que carrega sempre com ele. Himeko é uma ex-delinquente, uma garota esquentada com uma força sobre-humana e que luta usando um taco de hockey, que tem um gosto por pirulitos de sabores bizarros.

Bossun, nosso protagonista, é o líder e criador do Sket-dan. Um garoto totalmente fiel ao seus amigos, que não tolera quem trai um amigo, que vai fazer de tudo pra ajudar os que vierem pedir a sua ajuda… tem uma incrível habilidade de… se concentrar bem forte! A falta de habilidades impressionantes pra ele ser um protagonista da Jump é bem sacaneada durante o mangá.

Os personagens podem até parecer rasos, feitos só para as cenas de comédia, mas com o tempo, e com arcos destinados ao passado deles, vemos como são bem trabalhados.

No comecinho, a série ainda não mostra tudo ao que veio, só apresentando alguns dos MUITOS personagens que a série terá (Sério, o número é gigante). No volume 2, temos a primeira amostra do que a série pode fazer com arcos de mais de um capítulo, e de sua versatilidade, com a competição contra o conselho estudantil. E no volume 5 a série chega com uma porrada na cara, mostrando que pode ter um arco dramático muito bem feito, e emocionante. Com o tempo, a série vai construindo um universo próprio e rico, com várias piadas sendo mantidas, e vários personagens sendo introduzidos e outros desenvolvidos (falarei mais à frente). Quanto mais vamos nos acostumando ao estilo e ao mundo da série, criando simpatia com os personagens mais apreciável ela fica. É bom ver também com o tempo, os arcos antigos sendo referenciados (As vezes até com quebras da quarta parede). Por isso tudo, se a série não te agradar de cara, faça uma forcinha… talvez ela te conquiste com o tempo.

Acho que a maior qualidade do mangá são os personagens e sua versatilidade. Então vamos em partes:

O elenco de personagem, como eu já falei, é imenso. E o Shinohara consegue criar muitos e muitos personagens interessantes e engraçados, cada vez dando mais uma opção ao que trabalhar no capítulo. Facilita a criação de capítulos de comédia tendo tantos personagens pra usar e reusar. E é legal ver que ele realmente os reutiliza. Os personagens aparecem de tempos em tempos, alguns criando uma relação maior com o Sket-dan e outros não. É legal ver essa relação entre eles. Principalmente a com o conselho estudantil, que a princípio não quer que o Sket-Dan se mantenha pois é um clube visto como inútil… depois a relação entre eles melhora, mas ainda mantendo um pequeno clima de rivalidade.

Os três protagonistas também são excelentes. Sem isso, não seria possível a série fazer capítulos tão bons que se passam basicamente com eles conversando na sala do clube. A amizade deles é realmente legal de se ver, assim como as interações. E mesmo usando bastante o clichê de amizade, lealdade aos amigos e etc da Shonen Jump, não fica forçado, pelo contrário. Dá força a série, afinal esse é um dos temas dela. O Bossun é provavelmente meu protagonista favorito entre os atuais da Shonen Jump.

Ligado a isso, o clima do mangá e dessa escola é algo bem agradável, daquilo que mesmo quando não te faz gargalhar, te deixa com um sorriso no rosto. Acompanhar o dia-a-dia (meio nonsense, mas é o dia deles) deles e da escola, e a passagem de tempo (que vai acontecendo, e que rende bons arcos quando trabalha alguns personagens se formando). Sket Dance é aquele tipo de série simpática, quase todo mundo gosta um pouco. Quase o América-RJ da Shonen Jump.

Quanto a versatilidade que eu mencionei, a questão é essa: Sket Dance pode ser um mangá de comédia, e ser ótimo nisso, mas em diversos momentos a série faz um arco mais sério, ou em outro estilo. Em vários casos que o Sket-dan pega, a situação não é tratada de um jeito “gag”, mas com a seriedade necessária, com um enredo bem trabalhado e fechado, introdução, desenvolvimento, clímax e conclusão. Claro que a comédia não se perde, mas dá pra ver que a história do arco é bem trabalhada. Sket Dance também funciona, e muito bem, como um mangá de investigação, com os 3 protagonistas tentando descobrir alguma coisa (O que, aliás, são os momentos que mais fazem a série lembrar de PCP, mangá criado pelos protagonistas do mangá Bakuman, parceiro de revista de Sket por um bom tempo).

Em outros momentos, também temos partes emocionantes na história, que usa o tema de ajudar as pessoas e não trair os amigos, característico do mangá. De novo, essas partes não soam forçadas, mas sim muito bonitas. Por exemplo, um arco pra fazer um aluno que tinha se trancado voltar a ir as aulas, ajudar duas amigas a resolverem um mal entendido que havia deixado ambas brigadas…

Isso para não mencionar os arcos do passado dos três membros do Sket-dan, que são todos de tirar lágrimas do rosto, mostrando o que fez cada um dos personagens ser o que é. São a melhor parte do mangá, e de qualidade impressionante. O volume 10 em específico, destinado todo a contar o passado do Bossun, é provavelmente um dos meus volumes de mangá favoritos. Se bobear, eu faço um post comentando só ele. E como eu já mencionei antes, esses arcos, jogados de “surpresa” (Bem, depois do primeiro, você já esperava que iam ter outros 2, mas ainda não sabe quando eles virão) depois de vários capítulos mais alegres, causam mais impacto ainda ao acontecimento. Pelo contraste causado.

E agora, vamos a parte principal do mangá (… 1200 palavras e eu ainda não falei disso), o humor dele.

Sket Dance também é bem versátil quanto a sua comédia, usando várias coisas diferentes, como quebras de quarta parede, situações nonsense, estilo de humor bokke e tsukkomi (Basicamente assim: Alguém (o bokke) faz alguma coisa retardada ou boba pra deixar o outro (o tsukkomi) puto e causar humor com a resposta). O legal é que em Sket, os papéis de bokke e tsukkomi são trocados toda hora.

As quebras de quarta parede em Sket são bastante frequentes. Bossun ficar deprimido por não ser um protagonista adequado pra um mangá (o que não é verdade) é algo usado bastante… Fora os personagens comentando o porque que o autor fez algum acontecimento da história… Em determinado momento, por exemplo, temos um capítulo com vários personagens reaparecendo, e o Bossun reclama: “Isso aqui não é só uma desculpa pra dar tempo de cena pra vários personagens?!”

Outra coisa bastante usada são situações nonsense. Sket Dance é um mangá ambientado no mundo real, certo? Sem nem um elemento sobrenatural nem nada… Sim, isso é verdade. Agora, vamos lá, explique um arco inteiro com dois personagens de corpo trocado. Explique um personagem ficando com 4 anos por causa de uma droga. EXPLIQUE UM PERSONAGEM VIRAR UM BONECO DE PALITO.

Sket Dance 165: The Man Who Become a Stickman at MangaFox.me

Entre várias outras coisas. Capítulos geniais são formados com situações do dia-a-dia (bizarro, mas ainda assim) da escola. Por exemplo, um capítulo genial é baseado somente na Himeko tentando cortar o cabelo do Bossun. Em diversos momentos, Sket usa um humor bem ridículo, mas eficaz.

Quanto a arte, ela é simples, porém eu considero muito bonita. As páginas coloridas especialmente, ficam muito lindas. O mangaka também é bem criativo quanto a character designs, ficam bem únicos pra cada personagem sem parecerem (quer dizer, quando não são pra parecer) muito absurdos.

Claro, Sket não é perfeito. Como uma série com grande parte dos capítulos focadas em comédia, as vezes ela erra. E feio, formando capítulos que são cansativos até de passar a página. (Aliás, Sket é bem pesado quanto a diálogos, visto que muito do humor está neles) E bem, o estilo do humor pode não ser pra você. Mas eu acho ótimo, e sou fanboy da série. Mas no geral, é uma série agradabilíssima, que merece estar onde está, estabelecida na Shonen Jump e com um anime (Que até onde eu vi, foi uma boa adaptação) em andamento.

Com a capacidade de te fazer gargalhar, chorar, ou simplesmente te deixar com um sorriso no rosto, Sket Dance é uma série altíssimamente recomendada. Um dos melhores mangás dessa Jump atual e uma das minhas séries favoritas.

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JUMP WEEKEND

O Jump Weekend, já mencionado, é  um evento feito pela blogosfera de animes e mangás destinado a homenagear a Shonen Jump, que faz aniversário esses dias. Vários blogs estão participando, e não deixe de conferir seus textos!

(a lista será atualizada conforme os outros forem postando)

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Publicado em junho 30, 2012, em reviews e marcado como , , , , , , , , , , , , . Adicione o link aos favoritos. 27 Comentários.

  1. Ótimo review . O mangá atualmente é um dos meus favoritos na Shonen Jump . Divertidíssimo,leve,despretensioso,e com bons toques de drama. Só acho que alguns capítulos não fazem sentido para o público não japonês,como os que envolvem piadas com nomes e referências . Mas é só pular estes que estes que não tem problema.

    • Olha, eu até concordo com você que esses capítulos podem incomodar, mas alguns conseguem me fazer rir só com as notas de tradução, e o pouco que é adaptável, pela narrativa do Shinohara, ainda me consegue apreciar… http://mangafox.me/manga/sket_dance/v16/c139/1.html Tipo esse, é basicamente isso e eu adorei. Mas realmente, alguns não são tão aproveitáveis assim…

      Obrigado por ler a review! Volte sempre

      • Vish. Era bem desse capítulo que eu estava falando! Mas os que tem a brincadeira de Shiritori são legais.
        De todos, os que mais me divertem são os que tem a Roman. Os mangás que ela faz são impagáveis.
        Os que trazem as comédias de erro também são ótimos (do cabelo, da arrumação do personagem do kendô- cosplay de Niizuma Eiji, do mangá do Conselho estudantil ). Enfim, vale a pena dar uma conferida!
        PS: Cuidado com a saga da viagem escolar. Simplesmente hilária!!!!

      • Então, esse capítulo funciona, até porque dá pra entender as piadas com os nomes parecidos (Hagihara Midori e Hagiwara Midori é algo que dá pra entender a piada)

        Do cabelo é o que tentam cortar o cabelo do Bossun? Se sim, puta merda é genial.
        E eu já li o da viagem escolar… (li até onde tem scans em inglês), é o melhor arco de comédia de Sket, acho. E olha que é gender-bender, que não costumo gostar muito.

  2. Ótimo post sobre um mangá ótimo! As imagens foram muito bem escolhidas (afinal, existem mais e mais imagens lindas em Sket Dance) e o texto falando dos personagens também ficou sensacional!

  3. Só mais um flood: fico pensando se Sket teria alguma chance de vir para o Brasil… ou pelo menos ser publicado em inglês. Adoraria tê-lo na coleção!

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